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Saúde

Não há motivo para pânico, diz médica

Postada 12/03/2020



A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, ontem, pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O termo, pandemia, se refere ao momento em que uma doença já está espalhada por diversos continentes, com transmissão sustentada entre as pessoas.
Até ontem, no Brasil, eram 37 casos confirmados do novo coronavírus, 876 casos suspeitos e 880 descartados. No Rio Grande do Sul, há dois casos confirmados e 53 sob investigação. O número de casos descartados chega a 160.
Apesar do anúncio, a médica infectologista, Paula Korsack, orienta que a população deve se manter tranquila. Não há motivo para pânico porque a maioria das infecções pelo novo coronavírus é leve. “Foi o desespero que causou todo esse problema na China. Em pânico, as pessoas procuravam a emergência dos hospitais, e dentro das próprias salas de espera, ocorria a transmissão de uma pessoa para a outra. Isso foi o agravante. Precisamos, neste momento, da colaboração da população para que somente os casos graves cheguem às emergências”, destacou a especialista, lembrando que, dentre estes casos, estão pessoas que apresentam insuficiência respiratória, falta de ar e que precisam usar oxigênio. Também, pessoas que tenham diabetes, hipertensão ou outras comorbidades. “Para os demais casos, orientamos que a Vigilância, que o posto de saúde seja procurado, para que seja possível verificar a melhor forma de atendimento”, reforçou.
Como lembra Paula, o vírus atual é um dos sete tipos de coronavírus. Ele é da família do Sars, síndrome respiratória grave registrada na China em 2002. O Sars-CoV se disseminou rapidamente para mais de 12  países na América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia, infectando mais de 8 mil pessoas e causando cerca de 800 mortes. Em 2012, foi isolado outro novo coronavírus. Ele era desconhecido como agente de doença humana até sua identificação, inicialmente na Arábia Saudita e, posteriormente, em outros países do Oriente Médio, Europa e África. A mortalidade, nestes dois casos, chegou a 10%. Já o novo coronavírus chega a 2.8% entre os homens e 1.7% entre as mulheres – uma média de 3%, segundo Paula. “A mortalidade não é maior, mas a transmissibilidade desse novo vírus sim”, disse.
A médica lembra que teme mais a H1N1, ou influenza A, do que o novo coronavírus.  Isso porque a chance de ter a nova doença, com sintomas mais leves, é maior. “A influenza tem uma mortalidade maior, e também algumas diferenças diante do novo coronavírus. Até agora não tivemos nenhuma morte pelo coronavírus em crianças menores de 10 anos, diferente da H1N1, que afeta os pequenos em razão da sua imunidade não estar bem formada. Outro caso é o de gestantes. A influenza é um fator de risco para elas, algo que não percebemos com o coronavírus, ainda.”
Estão mais vulneráveis ao novo coronavírus, segundo a médica, pessoas com doenças crônicas e idosos. “Conforme a idade aumenta, aumenta a mortalidade pelo coronavírus. Num grupo com pessoas de 10 a 29 anos, a chance é de 0 a 2%. Entre os 50 e 59 anos, 1,3%. Já acima dos 80 anos, o risco sobe para 14%”, reforçou.
Para que não exista uma dupla infecção, de coronavírus e gripe, o Ministério da Saúde decidiu antecipar a campanha de vacinação. “Isso também vai ajudar a fazer o diagnóstico. Se a pessoa fez a imunização contra a gripe, há mais chances de estar com o coronavírus."
Medidas básicas podem ser tomadas para evitar a transmissão, segundo a médica: lavar as mãos várias vezes ao dia e utilizar o álcool gel. Também, manter uma distância de um metro entre as pessoas. Evitar aglomerações, como shows, é outra medida indicada por Paula. Ainda, evitar viagens para o exterior e o compartilhamento de objetos, como garfo e copo. Quando for espirrar ou tossir, cobrir a boca com a parte interna do braço. 


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