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Saúde

Taxa de gravidez na adolescência preocupa

Postada 14/02/2020



O tema gravidez na adolescência voltou a estar no centro das discussões, desde a última semana, em todo o País, após o governo federal lançar uma campanha de prevenção com o lema “Adolescência primeiro, gravidez depois – tudo tem o seu tempo”. Com uma abordagem bastante criticada, a campanha chamou a atenção para um problema sério, em todos os municípios. Há, de fato, uma queda no número de registros, segundo dados do Ministério da Saúde. Entre 2000 e 2018, houve uma diminuição de 40% nos casos de gravidez entre garotas com idades entre 15 e 19 anos. Já entre aquelas com menos de 15 anos, o percentual baixou 27%. A tendência de diminuição é positiva, mas o cenário ainda está longe do ideal. Somente em 2018, 434 mil adolescentes, entre 15 e 19 anos, foram mães no País, representando 68,4 nascimentos para cada mil. A taxa mundial é de 46 nascimentos, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A taxa de mortalidade infantil entre as mães mais jovens (até 19 anos) é de 15,3 óbitos para cada mil nascidos, acima da taxa nacional que é de 13,4 óbitos. Em Ijuí, tem ocorrido uma redução significativa do número de casos. Em 2015, foram registrados 140; em 2016, 144. Já em 2017, foram 136 adolescentes grávidas, enquanto que em 2018 foram 111. Já no ano passado, o número fechou em 93. “Essa redução se deve ao trabalho que a Secretaria Municipal de Saúde tem feito junto às escolas, às Estratégias de Saúde da Família (ESFs) e às próprias famílias”, explicou a coordenadora do setor de Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde, enfermeira Karine Lima. A situação, de acordo com ela, preocupa muito e motiva a realização de ações no município, visando a conscientização dos jovens. “Temos um programa, chamado de Saúde e Prevenção nas Escolas, onde um dos temas abordados é a sexualidade. Fica a cargo de cada unidade básica de saúde trabalhar dentro das escolas o tema. Também temos um trabalho desenvolvido pelos agentes comunitários de saúde, que realizam visitas domiciliares, orientando sobre esta questão. Consultas de enfermagem também são ofertadas nas unidades, nas ESFs e nos serviços especializados de Saúde da Mulher, a fim de orientar tanto meninas quanto meninos”, destacou a enfermeira. Palestras, realizadas nos educandários, trabalham a gravidez precoce, métodos contraceptivos e as redes sociais. Como lembra Karine, os adolescentes têm acesso à informação, mas nem sempre a absorvem de forma adequada. “São ações que queremos continuar desenvolvendo neste ano, como palestras com alunos e pais. Porque, lembrando, a responsabilidade sempre é dos pais de falar com os filhos sobre este tema. As escolas podem estar envolvidas, debatendo a sexualidade e a saúde. E nós estamos sempre à disposição para ajudar nesta orientação”, reforçou. De acordo com Karine, é difícil traçar um perfil das jovens mamães. Elas pertencem a diversos níveis socioeconômicos na cidade. A maioria chega acompanhada da família no serviço de saúde, e segue dando o apoio necessário. Nem sempre há, no entanto, acompanhamento do pai. “Temos o pré-natal do parceiro, também, e muitas vezes ele não aparece para fazer ou o relacionamento acaba. Para a família, a notícia sempre chega com surpresa. Mas o apoio é dado às jovens, seja no acompanhamento das consultas, seja na garantia de que elas permanecerão na escola.” Sempre que a adolescente deixa de comparecer às consultas, a Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente é acionada. “Há, claro, um receio destas jovens em contar para os pais que estão grávidas. Mas elas acabam chegando bem no início da gestação à rede de saúde, até a 12ª semana. São poucas que chegam depois”, reforçou a enfermeira, que entende o apoio da família como essencial. “É importante que a família esteja próxima, que possa haver um diálogo aberto dentro de casa, em todos os momentos da vida. Isso facilita o início do pré-natal, inclusive, caso venha a ocorrer uma gravidez", completou.


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