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Economia

Economia sente efeitos da inadimplência

Postada 13/02/2020



A estimativa é que aproximadamente 61 milhões de brasileiros tenham começado o ano de 2020 com alguma conta em atraso e com o CPF restrito para contratar crédito ou fazer compras parceladas. Os dados são da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito).
Épocas de crise acabam elevando a inadimplência e os impactos são sentidos na economia, em todos os setores. Para varejistas, por exemplo, a receita cai, comprometendo a capacidade do comerciante de arcar com custos operacionais diários ou de repor estoque, afetando também as vendas de seus fornecedores. Em períodos de maior aperto financeiro, os prejuízos dos inadimplentes podem levar o comerciante a demitir funcionários, elevando o desemprego, e criando, portanto, um ciclo vicioso: desemprego leva a mais inadimplência.
No Brasil, somando todas as pendências, cada consumidor inadimplente no País deve, em média, R$ 3.257,91. Já descontando os efeitos da inflação, os valores observados agora são 30% menores do que no início da série histórica, em 2010 (R$ 4.238,32).
"Embora se perceba uma leve retomada da economia, o endividamento das famílias ainda é reflexo da crise econômica que estamos enfrentando nos últimos anos, o que gerou desemprego,  aumento no custo de vida, enquanto a renda destas famílias não aumentou, pelo contrário, em grande maioria diminuiu.
Todo este cenário ocasionou inadimplência e com as altas taxas de juros dos cartões de crédito e empréstimos pessoais, as famílias se viram endividadas", analisa a vice-reitora em Graduação da Unijuí, e especialista em Direito do Consumidor, Fabiana Fachinetto. 
No Rio Grande do Sul, o percentual de famílias endividadas alcançou 65,1% em janeiro, segundo Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor divulgada na segunda-feira pela Fecomércio-RS. A taxa mostrou leve alta na comparação com janeiro do ano passado, quando estava em 63,2%.
Nos últimos 12 meses, também houve alta significativa de famílias que se consideravam muito endividadas, passando de 6,9% em janeiro passado para 17,3% no primeiro mês de 2020. O percentual dos que se consideram pouco endividados também cresceu, de 17,7% para 29,1% na comparação anual. Cerca de 14,2% dos entrevistados responderam à pesquisa que tem mais de 50,0% da renda comprometida ao pagamento de dívidas. 
O cartão de crédito segue sendo o principal meio de dívida, seguido por carnês, crédito pessoal e financiamento de carro. Já 8,5% dos entrevistados disseram ter dívidas com cheque especial.
Em Ijuí, o número de pessoas inadimplentes teve redução de 10% na comparação com o ano anterior, de acordo com dados do SPC local, coordenado por Clóvis Roratto de Jesus. Segundo ele, em relação às vendas ainda não é possível traçar um panorama, mas, muitos comerciantes relatam estar sentindo também os efeitos da estiagem, que fez com que houvesse uma retração por parte dos consumidores. "Como a inflação está controlada e a taxa de juros também, acreditamos que, somando esses dois fatores, possa acontecer um ano mais positivo. Esperamos que ocorram chuvas até o final da safra para amenizar as perdas que foram efetivadas. O quadro do cenário macroeconômico é positivo", afirma Clóvis.
Conforme atendimentos realizados no Balcão do Consumidor, em Ijuí as famílias acabam endividadas em decorrência de desemprego, problemas de saúde e por falta de educação financeira. "Fatores como desemprego e doença desestabilizam o orçamento familiar, o que é agravado, às vezes, pelo desconhecimento financeiro que ocasiona a contratação de empréstimos e financiamentos e o uso do cartão de crédito, todos com altos juros.
Uma vez que a renda da família diminui e ela se compromete com dívidas que não consegue pagar e se tornam cada vez maiores o endividamento infelizmente é uma consequência certa", detalha Fabiana.
Presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn explica que existem dois tipos de inadimplentes e, para cada um deles, um tipo de solução - a involuntária, que ocorre em função da perda de emprego ou pela necessidade de algum gasto atípico, e a que de fato aconteceu porque a pessoa se descuidou com os gastos.
" As pessoas precisam se reeducar, aprender que não podem gastar mais do que ganham. Para fazer isso, é preciso lembrar a cada dia que não se pode tirar de uma gaveta mais dinheiro do que entra, então, tem que cuidar o que ganha, não comprando por impulso, coisas desnecessárias ou supérfluos, que não estejam dentro de sua capacidade", comenta Luiz Carlos. "No caso dos involuntários, precisam ir aos poucos se organizando. Ainda nos preocupa a inadimplência, não é diferente de outros países, mas é preciso atenção."
Na prática, muitos consumidores não analisam o valor da dívida total, mas a parcela a ser paga. "O ideal é que antes de contrair dívidas, seja através de compras parceladas, no cartão de crédito ou crediário de lojas, ou contratar empréstimos ou financiamentos, este consumidor tenha certeza de que a contratação desta dívida é realmente necessária, e em caso afirmativo, tenha certeza de quanto será pago ao final."


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