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Número de casos devem se multiplicar, diz ijuiense

Postada 03/02/2020



Diante do avanço do coronavírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a classificar a epidemia, na última quinta-feira, como emergência de saúde pública de interesse internacional. Isso porque o coronavírus - chamado pela OMS de doença respiratória aguda 2019-nCoV - infectou 7,7 mil pessoas na China (e cerca de 100 em outros 18 países) e deixou 170 mortos até o momento. Ontem, o Ministério da Saúde informou que o Brasil tem 12 casos suspeitos. Nenhum foi confirmado.
Se no mundo o pânico já se instalou, a situação é ainda pior na China, conforme contou o ijuiense Fernando Camara Rieger, de 27 anos, gerente de departamento internacional que reside na região de Kaifeng, província de Henan. Ao Grupo JM, ele destacou que está há dois meses na China e que a “situação é bem complexa e delicada”.
“O país é grande, heterogêneo e, ainda que possamos indicar cidades com algumas centenas de infecções e situações particulares, o foco do surto está na província de Hubei, na cidade de Wuhan. São cerca de 10 mil infectados e a maioria está nesta região”, conta o jovem, lembrando que, até por isso, os esforços do governo chinês estão concentrados nesta área, para contenção da doença. Como exemplo, a construção de dois novos hospitais, em tempo recorde, na cidade de Wuhan, além do bloqueio de localidades. “Adota-se o mesmo modus operandi utilizado na época do SARs-CoV (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que causou um surto na China entre 2002 e 2003."
Na região em que Fernando mora, há cerca de 150 casos confirmados e várias suspeitas. Para tentar conter o avanço da doença, o uso do transporte público foi suspenso. “Todos têm adotado medidas para evitar o contágio, que são bastante conhecidas dos brasileiros, em razão da H1N1. Como exemplo, ter um cuidado com a higiene pessoal, lavar as mãos, cobrir a boca quando tossir. Se houver a necessidade de sair de casa, indica-se o uso de máscara. O próprio governo tem incentivado que as pessoas não saiam nas ruas e evitem lugares com acúmulo de pessoas. Ontem, mesmo, quando saí para ir ao trabalho, percebi que a cidade estava praticamente vazia, se comparada a um dia normal. Eram poucas pessoas nas ruas e a maioria usava máscaras”, contou o jovem.
Como destaca, é difícil conseguir rastrear todas as pessoas que estão infectadas. E o número de casos, conhecido hoje, certamente será multiplicado nas próximas semanas, conforme observou Fernando. “Todos já trabalham sob essa perspectiva. Tanto que todas as cidades que tiveram contato com o vírus já estão tomando as devidas precauções.”
Os impactos do surto devem ser sentidos nas próximas semanas, não apenas na área da saúde, mas economicamente, como lembrou Fernando. “Hubei e Wuhan têm grandes investimentos na indústria e investimentos diretos com estrangeiros – franceses, americanos, alemães. Das 500 grandes empresas globais, mais da metade têm investimentos nessa região, que conta com 60 milhões de habitantes. Isso pode, sim, afetar de forma considerável a economia. Mas a China como um todo pode ser afetada”, afirmou.
O ijuiense aguardará as próximas semanas para decidir se retornará ao Brasil. "Ainda não tenho vontade de voltar porque, por mais que a China tenha casos, é um país que tem recursos para lidar com a situação", finaliza.


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