Notícia

Saúde

Caps AD teve alta em atendimentos em 2019

Postada 03/02/2020



O Centro de Atenção Psicossocial (Caps) AD – Álcool e Drogas registrou, em 2019, um aumento no número de pacientes atendidos. Conforme expôs a psicóloga Adriana Van der Sand, ao longo de todo o último ano, a equipe atendeu 1.610 pessoas, o que levou a uma média de 130 usuários por mês. Do total, 310 são pacientes novos.
“Tivemos uma média de 25 pacientes novos por mês, e este é um número bastante expressivo. Alguns, obviamente, ganham alta, enquanto novos chegam ao serviço”, explica a profissional, lembrando que em 2019 foram registradas, ainda, 64 internações que passaram pelo Caps AD, mas que foram encaminhadas por medida judicial. “Essas internações chegam a pedido da Defensoria, e a gente faz uma tentativa de vinculação do usuário no serviço, para que se torne um tratamento voluntário e para que não seja necessário chegar ao hospital sem ter seu consentimento”, reforçou.
Para quem não conhece, o Caps AD é direcionado às pessoas que têm problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas.  Assim como o Caps Infantil, o serviço está vinculado ao Hospital Bom Pastor, que faz a gestão, mas integrado à Secretaria Municipal de Saúde. Ou seja, é gratuito e faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS). No Caps AD são realizados serviços psicossociais, a partir do trabalho de uma equipe multiprofissional – como enfermeira, técnica em enfermagem, psiquiatra, psicólogo, assistente social, nutricionista e educador físico. Há, inclusive, a atuação de uma professora de Francês, que realiza trabalho voluntário.
“Não se trata de um serviço em que o paciente vai lá, faz atendimento com um profissional e a equipe não conversa. O tratamento é multiprofissional e interdisciplinar. A ideia é que o paciente que está no Caps AD tenha um plano terapêutico que possa ser ampliado e que olhe para a totalidade da sua vida, e não apenas para a sua doença”, observa a psicóloga, lembrando que, por isso, o serviço possui atendimentos individuais e atividades em grupo. “Também é muito importante o trabalho em rede, porque a gente discute com outros serviços a questão do paciente. Entendemos que o problema de álcool e drogas é individual, mas também social. Que estes pacientes geralmente têm outras questões para além da saúde, como a própria vulnerabilidade social.”
A maioria dos pacientes atendidos é usuária de álcool, segundo Adriana. Na sequência vem os usuários de drogas e, por último, de álcool e drogas. A maioria esmagadora é do sexo masculino. Outras características importantes é que grande parte dos pacientes iniciou o uso ainda na adolescência, possui uma ocupação, embora a maioria seja informal, e não tem o Ensino Fundamental completo. A maioria tem renda de até dois salários mínimos e, o mais importante: quase metade, em algum momento da vida, já rompeu laços com a família. Metade deles também já perdeu o trabalho em função do uso de álcool e drogas. Estes dados partem de uma pesquisa feita com usuários do SUS, que acessaram o Caps AD entre os meses de agosto, setembro e outubro de 2019. Foram 214, ao todo. “Tivemos 42 pessoas que estiveram em situação de rua em Ijuí. E isso é muito preocupante. Nós temos uma modalidade de tratamento que é o acolhimento diário de pessoas que vão ao serviço, passam o dia lá, fazem suas refeições e tomam banho. Sempre acolhemos usuários em situação de rua e por isso falamos da necessidade de ter um trabalho em rede. As pessoas precisam de outras coisas para além da saúde.Precisam ser cuidadas por setores como educação e assistência social”, salienta.
Qualquer pessoa, que percebe prejuízos na sua vida social, familiar e trabalho, devido ao uso de alguma substância psicoativa, pode procurar o Caps AD – entre 7h30 e 17h30. O usuário do SUS passa por uma entrevista de acolhimento, para que seja elaborado um primeiro plano terapêutico singular. Essa proposta vai sendo revisada no decorrer do tratamento. Por vezes o paciente precisa de desintoxicação, por vezes precisa acessar outros serviços e até participar de alguma atividade em grupo. O serviço está localizado junto ao novo Hospital Bom Pastor, ao lado do Bosque dos Capuchinhos. “Lembrando que também estamos abertos aos familiares. Mais do que dar suporte, entendemos que o trabalho com os familiares é extremamente importante e inclusive queremos, neste ano, reativar um grupo específico para isso. Percebemos que quando o familiar se coloca como parte do tratamento, a tendência de reincidência é muito mais baixa do que em pacientes que acabam não tendo vínculos ou que a família não participa”, disse.


Edição Impressa


Ver Todas as Edições
Trabalhe no Grupo JM Espaço do Leitor - Assine - Anuncie -
Albino Brendler, 122, Centro, Ijuí-RS
(55) 3331-0300
[email protected] Desenvolvido por