Notícia

Economia

"País precisa de reforma profunda e igualitária"

Postada 29/01/2020



Os impactos do pacote de reformas do governo de Eduardo Leite, que começou a ser votado na Assembleia Legislativa, ontem, tendem a ser sentidos no longo prazo e visam, em resumo, aliviar a estrutura do Estado, tornando-o mais competitivo e, consequentemente, mais eficiente. Na prática, os resultados dependem para além da aprovação, mas passam necessariamente pela execução, a exemplo da reforma da Previdência, que deverá começar a ter impactos mais significativos sobre a economia somente daqui há 10 anos. A avaliação é do economista da Unijuí, professor Argemiro Brum.
"O peso do Estado se torna menor sobre a economia e isso faz com que o setor privado reaja melhor e puxe o crescimento em geral. Ao mesmo tempo, o custo do Estado também reduz, permitindo que funcione melhor. No somatório, há uma expectativa de que a economia venha a crescer", afirma.
Em curto prazo, as reformas geram confiança no mercado, porque são indicativos de que o Estado atua para tentar resolver problemas estruturais - diminuir os gastos públicos, readequar a estrutura e se tornar eficiente.
Já em âmbito nacional, Brum afirma que o País precisa de uma reforma mais profunda e igualitária. Entretanto, pondera, que interesses específicos a tornam impossível de ser feita - a própria reforma da Previdência não irá atingir todos os segmentos da sociedade, deixando principalmente os mais privilegiados de fora. "Resultado disso, logo ali na frente, de 10 a 15 anos, provavelmente seremos obrigados a fazer uma nova reforma da Previdência, e da forma como as coisas estão sendo constituídas, a Administrativa e a Tributária não serão suficientes. Além disso, o Estado, no custo que vive, quebrado, tanto nacional quanto regional, não tem condições de abrir mão de receitas e não quer readequar para aliviar os mais pobres, e assim acaba não fazendo uma reforma adequada." 
Para ele, o governo federal teria condições de propor uma reforma mais igualitária, mas, para isso, em primeiro lugar, é preciso que essa seja sua intenção.
Em segundo lugar, a proposta precisa passar pelo Congresso, onde será analisada e aprovada e é justamente onde encontrará barreiras devido aos interesses das diferentes bancadas. "A organização da sociedade dentro do Congresso é que decidirá como isso será votado, porque geralmente é ali que as coisas se modificam. Claro, em primeiro lugar, o governo tem que apresentar uma proposta neste sentido e não me parece que o atual governo tenha interesse nesse sentido." 


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