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Rural

Exigências de qualidade criam novas barreiras

Postada 16/01/2020



A Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), lançou a terceira edição do Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no RS 2019. Apesar do documento apresentar redução no número de produtores e do rebanho gaúcho de forma geral no Rio Grande do Sul, a produção e a produtividade em cada propriedade rural aumentaram.
Ijuí é um dos maiores produtores de leite da região de abrangência da Emater Ijuí, que conta com 44 municípios. Ao todo, são 500 produtores - em 2017, eram 600 -, que correspondem pela produção de 60 milhões de litros por ano
Assistente técnico da Emater, Oldemar Weiller pontua que a região teve queda significativa no número de produtores, cerca de 40% - de 11,3 mil em 2017 para 8,4 mil em 2019. Já na produção de leite, a queda não foi abrupta - em torno de 3%: de 822 milhões de litros por ano, em 2017, para 793 milhões de litros por ano, em 2019. 
"Muito desse abandono ocorre também por opção do produtor, que parou de investir, as condições de propriedade já não se tornam tão atraentes para manter a atividade. Também ocorreu na região uma seleção em função de volumes de produção. Muitas vezes, algumas propriedades não conseguiram atingir o esperado, e a exclusão ocorre por não atingir os padrões de qualidade exigidos pelas empresas", explica Weiller.
Ele lembra que a Instrução Normativa 76, que estabelece padrões de qualidade relativos à temperatura, contagem de células somáticas e contaminação de bactérias, denominada contagem padrão em placa, também é um fator que deve ser considerado quando se analisa o abandono da produção. "Com certeza, são fatos que excluíram muitos produtores da região", completa.
Em âmbito geral, segundo o assistente técnico, as questões de infraestrutura não são tão limitantes - 98% dos produtores possuem resfriador de expansão, equipamento necessário para manutenção da qualidade do leite. Portanto, a falta de adequação à legislação decorre de, falta de conhecimento e por opção, ou seja, os produtores não estão dispostos a realizar novos investimentos para evolução na qualidade do leite.
O relatório mostra ainda as três principais dificuldades dos produtores de leite apontadas pelas entidades participantes da pesquisa: falta ou deficiência de mão de obra (45,21%); descontentamento em relação ao preço recebido pelo leite (44,89%) e também a falta de sucessão familiar (40,72%).
"Produtor que tem menor volume, recebe um preço menor pelo leite produzido, isso, com certeza, desestimulou muito. As empresas têm uma política de preço que, muitas vezes, penaliza as baixas produções. Temos visto que para se manter na atividade tem que ter um volume considerável de produção, senão a atividade se torna inviável", explica Weiller. De acordo com ele, esse volume deve variar entre 200 e 300 litros, para viabilizar a coleta, baixar o custo de produção e ser capaz de manter a propriedade viável economicamente. "Na região, temos ainda em torno de 650 produtores que produzem abaixo de 50 litros. Esses, com certeza, logo adiante deixarão a atividade. Em Ijuí, não temos nenhum que produza abaixo disso. Podemos imaginar que do universo de 500 produtores ainda no município, possivelmente nos próximos anos teremos redução neste número, sim."
Em relação ao mercado do leite, Weiller destaca que ainda é o longa vida. "Uma das possibilidades da cadeia dar um salto, seria conseguirmos produzir um leite de qualidade que fosse possível buscar mercado externo, que seria o leite em pó."
No caso do mercado de leite em pó, dois fatores devem ser equacionados: a qualidade e o custo de produção. "Tenho escutado o que as empresas têm falado sobre esse tema, e se estima que um leite para ser competitivo teria que ser produzido em torno de R$ 1 a R$ 1,10 o litro. Hoje, para nós é um custo ainda fora da realidade do nosso sistema de produção, onde nosso custo é maior.
Participaram desta pesquisa todos os escritórios municipais da Emater/RS-Ascar, 392 prefeituras, 207 inspetorias de defesa, sindicatos de trabalhadores rurais, conselhos municipais de agricultura, indústrias, agroindústrias, cooperativas e empresas de laticínios, além de 81 outras entidades ligadas ao primeiro setor gaúcho.


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