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Tecnologia reduz mão de obra no meio rural

Postada 31/10/2019



O uso de tecnologia cresceu no campo nos últimos 11 anos, o que levou a um aumento significativo de produtividade em diversos setores agropecuários. É o que mostra o Censo Agropecuário divulgado pelo IBGE, com dados de 2017. A pesquisa fez uma fotografia do campo brasileiro no dia 30 de setembro de 2017, com dados relativos ao período entre 1º de outubro de 2016 e a data base.
Segundo o técnico do IBGE de Ijuí, Valério Neumann, os dados têm foco na estrutura dos estabelecimentos, principalmente em relação a maquinários e pessoal ocupado - aqueles que estão trabalhando na atividade agropecuária.
Em entrevista ao Grupo JM, Neumann apresentou dados relativos ao município de Ijuí, e ponderou que ainda não há possibilidade de realizar comparativos em âmbito nacional, uma vez que os dados locais ainda estão sendo transformados.
Entretanto, é possível perceber os impactos da tecnologia no meio rural de Ijuí, resultando na redução do número de pessoas ocupadas e de pequenas propriedades, e, na outra ponta, elevando o número de maquinários, principalmente de alta tecnologia.
A primeira modificação observada no período é no número total de propriedades rurais: em 2006, eram 2.007, em 2017, caíram para 1.626 - redução de quase 20%.
"O primeiro comentário a fazer em relação a isso é que existem algumas diferenças de conceitos aplicados entre uma pesquisa e outra, mas ainda assim, retirada essa questão, temos uma redução considerável no número de estabelecimentos. Muitos dos que existiam há 12 anos, não existem mais, têm sido absorvidos geralmente por estabelecimentos maiores", analisa o técnico.
A mecanização no campo cresceu no período, em Ijuí, com aumento no número de tratores utilizados nas propriedades rurais. Se em 2006 eram cerca de 1,3 mil, em 2017, eram mais de 1,8 mil, um incremento de 30%. Um mesmo trator pode ser usado com diferentes tipos de implementos, como arados e pulverizadores.
"E o incremento é ainda maior nos tratores de alta potência, de mais de 100 cvs, tiveram aumento de 85% em sua frota nos estabelecimentos. Então, temos uma tecnificação bem presente e vemos isso de uma forma bem clara em Ijuí", acrescenta Neumann.
Com mais técnicas e maquinários, o campo passou a ocupar menos funcionários - a mão de obra no campo vem recuando desde 1995. Em 2006, as propriedades rurais no município tinham 6.185 pessoas ocupadas nos estabelecimentos agropecuários no município, entre produtores, pessoas com laços de parentesco e empregados temporários ou permanentes; em 2017, eram 4,7 mil, uma redução superior a 30% na mão de obra.
"Aqui, começamos a entender um pouquinho que possivelmente os nossos estabelecimentos nesse período acabaram ficando mais tecnificados, então, muito possivelmente aqueles pequenos estabelecimentos, com uma produção muito manual, artesanal, acabam sendo prejudicados, talvez não consigam acompanhar as tendências do mercado e acabam sendo absorvidos por estabelecimentos maiores, com mais tecnificação, inclusive menos pessoas trabalhando, e mais maquinários envolvidos."
O IBGE, no entanto, descarta que os dados indiquem êxodo rural, que segundo o instituto só pode ser medido com pesquisas que investiguem o local de residência da população, independentemente da ocupação das pessoas. O IBGE realizará o censo populacional em 2020.
Apesar de descartar êxodo, o censo indica que os jovens estão deixando de se interessar pelo campo - com base nas informações do Censo Agropecuário, que considera os dados do proprietário do local. "Temos claramente uma redução no número de pessoas responsáveis pelos estabelecimentos abaixo dos 45 anos, e um aumento considerável no número de produtores acima de 60 anos. Já temos em vários municípios, de nossa abrangência, uma preponderância de produtores com mais de 60 anos, que são os responsáveis, quem toma as decisões. Então, vemos que cada vez menos os jovens têm assumido a liderança, apesar de muitos trabalharem [no campo], ainda não assumem a responsabilidade pela produção."
Outro dado observado no município e que comprava, segundo Neumann, o advento da tecnologia no meio rural é relativo ao tamanho dos estabelecimentos agroecuários. Nesses 11 anos, o número de propriedades com até 10 hectares teve uma redução: das 720, em 2006, 537 ainda existiam em 2017 - ou seja, cerca de 180 deixaram de existir. Por outro lado, aquelas com mais de 100 hectares, tiveram número maior. "Então, de fato, os dados comprovam que os estabelecimentos estão cada vez mais tecnificados e estão resistindo aqueles com área maiores".


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