Notícia

Economia

Baixo poder de compra preocupa comerciantes

Postada 27/08/2019



No mês de julho, foi registrada a abertura de 43.820 vagas de trabalho com carteira assinada, o que corresponde a um crescimento de 0,11% em relação ao estoque de junho. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram divulgados pelo Ministério da Economia.
Segundo o levantamento, nos sete primeiros meses do ano foram criados mais de 461 mil postos de trabalho. Esse resultado, de janeiro a julho, foi o melhor para o período desde 2014.
Entretanto, os dados são preocupantes, em especial para os gaúchos. É que pelo quarto mês consecutivo, o País teve criação de novas vagas de emprego, enquanto que o Rio Grande do Sul foi na contramão, perdeu vagas de empregos pelo quarto mês consecutivo. 
Para o professor de Economia da Unijuí, que avalia mensalmente os dados do Caged, Dilson Trennepohl, esses resultados apontam que há setores no Estado com dificuldades. "Chama atenção que  todos os setores no mês de julho apresentaram saldo negativo no Rio Grande do Sul. No caso da indústria, foram 1.742 vagas perdidas, é o setor mais impactado, influenciado pela agropecuária, com o fim das safras de grãos, uva e fumo." Ao todo, foram 3.648 vagas perdidas durante o mês de julho, no Estado.
Em âmbito regional, que abrange seis municípios, o quadro é menos dramático. Em Ijuí, houve acréscimo de 23 vagas - a indústria teve perdas; construção civil, comércio e serviços tiveram ganhos; e agropecuária se manteve estável. Em Panambi, foram criadas 68 vagas; e, em Santa Rosa, 82. Os municípios de Cruz Alta, Santo Ângelo e Três Passos tiveram saldo negativo. Vale lembrar que Santa Rosa vinha de uma sequência de perdas de vagas, tendo recuperação significativa no mês de julho.
"Todos esses municípios têm algum ganho no acumulado do ano. Nos meses de janeiro e fevereiro, tivemos evolução positiva do emprego no Estado como um todo e na região em especial, mas agora, os últimos meses têm sido mais complicados para os gaúchos." 
No acumulado dos sete meses, Ijuí teve geração de 256 novas vagas - na indústria, construção civil e serviços. O comércio é o setor mais fraco. "Ijuí, como tem uma economia mais diversificada, é uma cidade que vai se mantendo melhor do que as demais."
No acumulado, somente as três primeiras faixas de renda têm maior número de emprego: até um salário mínimo e meio, o ganho foi de 2,3 mil vagas; acima de dois salários mínimos, todas as faixas salariais tiveram perda de emprego. "Significa dizer que o salário médio dos trabalhadores está caindo, até por essa mobilidade que existe, em que há a liberação dos trabalhadores mais caros e a reposição por trabalhadores mais baratos, que têm custo menor para os empresários. Isso implica na renda dos trabalhadores e, portanto, na capacidade de compra das famílias."
Em função disso, o segundo semestre, marcado por importantes festividades no município- Expo-Ijuí/Fenadi, Dia das Crianças, Natal, Ano Novo -, que normalmente aquecem o mercado local, se transformou em uma preocupação para os comerciantes, em função da redução no poder de compra dos  consumidores. "Não se projeta um volume de vendas maior, a exemplo do que temos ao longo do primeiro semestre."


Edição Impressa


Ver Todas as Edições
Trabalhe no Grupo JM Espaço do Leitor - Assine - Anuncie -
Albino Brendler, 122, Centro, Ijuí-RS
(55) 3331-0300
[email protected] Desenvolvido por