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Redes sociais: uso abusivo aumenta depressão entre jovens

Postada 19/08/2019



O  uso de redes sociais por adolescentes não tem preocupado apenas os pais, mas profissionais da área da Saúde. E não é à toa: uma pesquisa realizada pela instituição de saúde pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health, em parceria com o Movimento de Saúde Jovem, mostra que as redes sociais são mais viciantes que álcool e cigarro.  Os resultados mostram que 90% das pessoas entre 14 e 24 anos usam estas plataformas mais do que qualquer outro grupo etário, o que as torna ainda mais vulneráveis a seus efeitos colaterais. Ao mesmo tempo, as taxas de ansiedade e depressão nessa parcela da população aumentaram 70% nos últimos 25 anos. 
"Estamos numa época de influencers, de publicidade via redes sociais, e acaba que temos nestes espaços uma realidade construída. Muitas vezes o adolescente, ao ver o perfil de uma pessoa com uma vida aparentemente perfeita, acaba desenvolvendo expectativas irreais. É como se a sua vida não correspondesse, não fosse igual, não estivesse nos mesmos parâmetros, seja de realização financeira ou de imagem", explicou a neuropsicóloga Márcia Baiocchi Amaral.
Mais do que sentirem-se frustrados por não ter uma vida como a de outras pessoas, a exemplo dos influenciadores, os jovens também acabam dependentes dos 'likes', conforme observa a profissional. "É ativado o sistema de recompensa cerebral. E se eu não tenho aquele like, eu não me sinto satisfeito", explica Márcia. Não é à toa que o Instragram foi avaliado como a rede social mais prejudical à mente dos jovens, conforme a pesquisa mencionada. E para combater o clima de competição dentro da rede, focando no conteúdo - conforme nota divulgada pela própria empresa - decidiu-se ocultar o número de curtidas nas postagens de todos os perfis do Instagram. Medida avaliada de forma positiva pela neuropsicóloga. "Autoridades de saúde já haviam recomendado essa medida, e também recomendado que as redes sociais colocassem avisos sobre o uso nocivo. A contagem gerava uma competitividade entre os usuários. O Instagram é a rede que mais impacta negativamente na saúde mental, muito em razão das imagens perfeitas. Pesquisas também mostram que seu uso impacta no sono, na autoimagem, no medo de ficar por fora dos acontecimentos", disse.
Segundo Márcia, o ideal é que adolescentes ou adultos fiquem até 2 horas em contato com tecnologias. Mas há estudos que mostram que o tempo médio, gasto em  redes sociais, é de 137 minutos por dia - sem contar o uso do WhatsApp. "O contato com as redes acaba gerando a diminuição  dos contatos sociais. A gente vai deixando de fazer outras atividades, vai perdendo a produtividade no estudo, no trabalho."
Os pais precisam estar atentos ao período que o adolescente permanece utilizando o smartphone, o computador, e precisam estar atentos a alguns sinais, que mostram que o jovem não está bem. "A pessoa começa a apresentar dificuldade de concentração, não consegue se manter focado nos estudos, fica interrompendo o trabalho, deixa de ter interesse em atividades, em sair com amigos. Há estudos que mostram que jovens americanos já estão até perdendo o interesse em namorar. Preferem ficar em frente a uma tela", destacou Márcia, reforçando que as redes sociais prejudicam as habilidades sociais.
Márcia diz que o aumento no número de casos de depressão, ansiedade e automutilação entre jovens é perceptível nos consultórios e no sistema público de saúde. "As pesquisas mostram isso e a prática clínica também. A internet, as redes sociais, vieram para ficar. Não vamos banir, não podemos proibir o uso. Mas é necessário ter moderação, e não tirar o tempo de atividades essenciais de lazer, ao ar livre, de estudo, para permanecer no ambiente virtual."


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