Notícia

Educação

Estrutura precária de escolas desafia Seduc

Postada 10/07/2019



A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) tem buscado, desde que o governador Eduardo Leite assumiu a gestão, implantar ações que garantam mais  agilidade e modernidade. No entanto, conforme aponta o titular da pasta, Faisal Karam, a equipe tem encontrado dificuldades nas escolas gaúchas, especialmente quanto às suas estruturas. “Temos muitos problemas causados pelo envelhecimento da estrutura das escolas e pela falta de investimentos ao longo dos últimos 30 anos – com exceção dos últimos quatro anos, do governador José Ivo Sartori, quando ocorreram algumas melhorias. Mas graças a recursos provenientes de um financiamento internacional. Uma verba que acabou”, explicou o secretário, lembrando que todas as ações da pasta estão sendo adequadas ao orçamento deste e  do próximo ano. A LDO entrou em votação na Assembleia Legislativa e não há qualquer previsão de crescimento da receita. Pelo contrário.
“O ponto positivo é que o governo está trabalhando com o orçamento real do Estado. E isso acaba gerando um enxugamento da estrutura. Hoje, para se ter uma ideia, somente a Seduc tem um quadro de 60 mil profissionais, entre professores e servidores de apoio. Cerca de 40 mil são servidores concursados e 20 mil possuem contratos temporários. A demanda é crescente e, desde o início do ano, estamos nos adequando, trabalhando para que não faltem professores em sala de aula.”
Ao Grupo JM,  o secretário destacou que a Seduc está buscando revisar os índices do Estado e também está propondo momentos de escuta e diálogo com as mais de duas mil escolas do interior, através do projeto Seduc em Missão. As atividades tiveram início ontem. “Nestes encontros, estaremos levando iniciativas como o Aluno Presente, que visa conscientizar  professores, coordenadores de escola e direções a excluir da lista de efetividade todo o aluno que não está na sala de aula.” Segundo o secretário, hoje 892 mil matriculas são feitas de forma automática nos educandários, a cada fim de ano. E cerca de 100 mil alunos, teoricamente matriculados, não existem dentro de sala de aula – seja porque evadiram, porque desistiram ou porque nunca estiveram na escola. Isso acaba gerando índices bastante negativos para o Estado, segundo o secretário. “Das  27 unidades federativas, o RS é o Estado que mais reprova alunos, e muitos por falta. Estes 100 mil alunos jogam a proficiência do professor para baixo e faz com que o Estado apareça em 16º lugar, com o pior percentual de avaliação, quando falamos em Prova Brasil.”
À redação, o secretário  também opinou sobre o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que, acredita, não vai findar no fim de 2020. “Por mais estagnado que o país esteja, por mais que faltem ações concretas na área de educação, há um movimento para que o Fundeb torne-se uma ação constante. Uma política permanente. Se não houver a continuidade, os municípios serão diretamente prejudicados.”
Segundo Karam, hoje o governo do Estado aporta R$ 1,6 bilhão a mais no fundo, como verba complementar aos municípios. Se o Fundeb não existir mais, o RS fica com esse recurso. O que parece uma boa ideia, mas, na verdade, causará um problema sério aos municípios, que não terão condições de manter a Educação Básica. O Fundeb permitiu que o Brasil chegasse aos índices que tem na educação e é fundamental para o ensino do País.”


Edição Impressa


Ver Todas as Edições
Trabalhe no Grupo JM Espaço do Leitor - Assine - Anuncie -
Albino Brendler, 122, Centro, Ijuí-RS
(55) 3331-0300
[email protected] Desenvolvido por