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Educação

Educadores debatem a justiça restaurativa

Postada 05/07/2019



Um encontro, realizado ontem no Colégio Evangélico Augusto Pestana (Ceap), reuniu representantes do educandário e de outras três escolas particulares de Ijuí – EFA, Adventista e Colégio Sagrado Coração de Jesus – para discussão da justiça restaurativa no ambiente escolar.
O evento partiu de uma iniciativa do Ceap, que desenvolve círculos de  construção de paz desde o ano passado. “Eu, como  representante do Ministério Público e por já estar trabalhando com a justiça restaurativa em outras áreas no município, fui chamada para que pudéssemos trabalhar essa questão com os profissionais da área da educação”, explicou ao Grupo JM a promotora da Vara da Infância e Juventude,  Marlise Bortoluzzi.
Durante o evento, foram destacados aspectos da justiça restaurativa, essa nova metodologia que busca estabelecer uma escuta qualificada, a resolução e prevenção de conflitos de uma forma  respeitosa, através da fala, da escuta e do bom entendimento. E para trabalhar o tema, foi convidado o psicólogo Paulo Moratelli, que está em Ijuí participando de uma das etapas de execução do projeto “Construindo a cultura da paz na escola”. Lançada no início do ano, a proposta  atende cinco escolas públicas do município e, nesta semana, ocorre a capacitação de 25 profissionais que foram selecionados nos educandários.
“A ideia de chamarmos outras escolas da rede particular tem o intuito de mobilizar e sensibilizar para, no futuro, podermos capacitar integrantes das quatro instituições, para que se tornem autônomas nessa metodologia, podendo aplicá-la dentro do seu ambiente escolar”, explicou a promotora. Em Ijuí, 50 facilitadores para círculos não conflitivos foram formados no ano passado, pelo Tribunal de Justiça. Depois, ocorreu a formação de 25 facilitadores para círculos conflitivos. E nesta semana, acontece a formação destes 25 profissionais da área da educação. “Estamos planejando um curso de capacitação na área de violência doméstica e já estamos pensando no futuro. Quem sabe conseguimos formar uma turma com profissionais de escolas particulares, e estender o trabalho para outras cinco escolas públicas.”
Vice-diretora do Ceap, Deizy Soares destacou que a proposta está contribuindo para potencializar ações que vinham sendo desenvolvidas na escola, mas que, com a realização de círculos de construção de paz, se tornaram mais robustas e geraram impacto nas relações. “A gente percebe que as pessoas envolvidas nos círculos de construção de paz passaram a ter um olhar diferenciado para a convivência. Tivemos a possibilidade de aprimorar as relações na perspectiva de uma comunicação não violenta, com empatia, voltada ao autoconhecimento, ao conhecimento do outro. Claro que, quando falamos de seres humanos e relações, o caminho não é tão curto. Mas já percebemos, no cotidiano, um olhar diferen ciado e mais aprimorado com relação à convivência”, disse.
Ao Grupo JM, o psicólogo Paulo Moratelli  contou que buscou evidenciar o que pode ser feito no ambiente escolar a partir da perspectiva da justiça restaurativa. Ele abordou os diferentes usos para gestão interna de pessoas, a prevenção, a mediação e a transformação dos conflitos que surgem no dia a dia. “O grande objetivo da justiça restaurativa é transformar a sociedade, tornando-a mais pacífica. E para isso, trabalhamos muito com os valores. E a escola é um ambiente adequado para se trabalhar com eles. Podemos usar as ferramentas da justiça  restaurativa em aulas, na prevenção do bullying e outras violências, para estabeceler uma maior compreensão de valores humanos, dos direitos humanos. Enfim, para desenvolver as competências socioemocionais, a inteligência emocional dos sujeitos”, disse.
Na opinião do profissional, a justiça restaurativa é uma das principais alternativas na redução de conflitos, já que a metodologia vem sendo utilizada em muitos locais do mundo. “Precisamos transformar a sociedade a partir das suas bases, das escolas, não precisando atuar, depois, no conflito, com adolescentes e adultos que optam pelo mundo do crime.”


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