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Saúde

Autismo: desenvolvimento da criança deve ser observado

Postada 01/07/2019



A impressão que se tem, nos últimos anos, é que houve uma explosão de casos de autismo no Brasil. Como se, até pouco tempo atrás, o transtorno fosse desconhecido. Mas a situação não é exatamente essa, conforme explicou a neuropediatra do Consórcio Intermunicipal de Saúde (Cisa), Raquel Binkowski. “O autismo sempre existiu. O que tivemos, recentemente, foi uma mudança nos critérios de diagnóstico. Há alguns anos, ouvimos falar de casos moderados ou severos, hoje chamados de níveis 2 e 3. Mas  houve uma ampliação e detecção precoce dos casos mais leves, que chamamos de nível 1. Então, muitas crianças, adolescentes e adultos, que não tinham o diagnóstico, passaram a ter. E isso ocasionou um aumento de casos”, destacou.
O autismo, observa a neuropediatra, é um transtorno do desenvolvimento que tem três características principais e obrigatórias para o diagnóstico: a dificuldade na interação social, a dificuldade em compartilhar e, por fim, os  interesses repetitivos ou manias. De acordo com ela, existem condições genéticas que estão associadas ao  autismo e que são comuns em meninos. Logo, há uma maior incidência de casos entre pessoas do sexo masculino. “Mas nem sempre essas causas são facilmente descobertas, pois requerem exames muito mais complexos e nem sempre se chega à uma causa específica. Da mesma forma, não significa que meninas não tenham o Transtorno do Espectro Autista (TeA)”, reforçou.
Para que o diagnóstico aconteça de forma precoce, é importante que os pais estejam atentos ao desenvolvimento da criança. Um dos aspectos que chama a atenção, segundo Raquel, é o desenvolvimento da fala. “Sabemos que, por volta dos nove meses, a criança começa a fazer sons vocálicos. Com um ano, forma pequenas palavras, como ‘mama’. E com um ano e  meio, a criança é capaz de formar frases. Diante de alguma mudança, os pais devem procurar avaliação de um profissional”, destacou.
Segundo a neuropediatra, a criança com autismo tem dificuldade em olhar nos olhos e não aponta para o que quer. Ela também apresenta dificuldade em compartilhar, em mostrar  aos familiares e professores aquilo que encontra e lhe interessa. Também deve chamar a atenção a criança que não gosta de brincar e tem interesses restritos.
Tratamento  - Recentemente, chamou a atenção de alguns pais de autistas a divulgação de uma solução química, que prometia curar o autismo. A explicação seria que o líquido teria a capacidade de promover uma "desintoxicação de bactérias não identificáveis em exames" e metais pesados do organismo, que seriam os responsáveis por causar os sintomas do autismo. Conhecida pela sigla MMS (termo em inglês para Solução Mineral Milagrosa), a mistura química (à base de clorito de sódio e ácido cítrico) resulta no dióxido de cloro, poderoso alvejante usado, inclusive, pela indústria para fazer o branqueamento da madeira. A mistura é propagada desde 1996, quando o ex-cientologista americano Jim Hamble, diz tê-la descoberto e curado doenças como malária e HIV.
Mas, como observa a neuropediatra, há uma má fé na divulgação dessas curas  milagrosas. “Não existe  cura para o autismo, existe tratamento. E uma criança pode ter grandes avanços, até a vida adulta, desde que receba o tratamento adequado”, destacou.
O desenvolvimento de um autista dependerá do grau do transtorno, da precocidade do diagnóstico e das intervenções realizadas – e aqui, a neuropediatra salienta a importância do autista ter o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. “Uma criança que tem o diagnóstico com dois anos, por exemplo, ela pode ter uma ótima evolução. Tanto que, quando chega à fase adulta, quase não se percebem os  sintomas. Mas se o diagnóstico é tardio, acontece de o adulto ter limitações e dificuldades”, observa.
De acordo com Raquel, nos últimos dois anos têm ocorrido mudanças e avanços na sociedade para acolhimento dos  autistas. No entanto, a realidade ainda está fora do ideal. “A gente vê que muitas barreiras foram vencidas, mas ainda há muito para se construir”, disse.


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