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Economia

Manutenção de taxa indica cenário negativo

Postada 24/06/2019



O Banco Central manteve a taxa básica de juros (Selic) em 6,50% ao ano. A instituição frustrou as expectativas do mercado de que indicaria um corte da taxa na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No comunicado da decisão, o BC afirmou que a economia parou de se recuperar e que o cenário externo melhorou.
Disse, no entanto, que o risco “preponderante” neste momento está em “uma eventual frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira”, o que “pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação”.
"Avanços concretos nessa agenda [de reformas] são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação”, diz o BC.
Os juros estão no patamar atual desde março de 2018, quando o Copom encerrou o ciclo de cortes iniciado em 2016 e colocou a Selic em sua mínima histórica.
A divulgação de dados econômicos deste primeiro semestre, que indicam cenário de estagnação ou até recessão, além de queda na inflação, apontam para um cenário negativo, conforme o professor de Ciências Econômicas da Unijuí, Dilson Trennepohl.
"Mostra que não sabemos para onde estamos indo. Além de manter o mesmo número, o Copom fez uma indicação de, na próxima reunião, haver uma redução na taxa Selic, que possivelmente seja de 0,25%, ou exagerando para 6%, o que eu não acredito. Então, mostra que não há nada de novo há muito tempo, pelo contrário, temos uma economia cada vez mais fraca, continuamos tendo aumento no desemprego, tendo queda nas vendas do comércio, demonstrando claramente que a capacidade de compra das famílias está fragilizada. Isso tudo combinado com o aumento no número de famílias inadimplentes", avaliou, em entrevista ao Grupo JM, na sexta-feira.
Da mesma forma, pontos da reforma da Previdência tendem a ser negativos para a recuperação econômica, na análise do professor, uma vez que a capacidade de consumo das famílias está fragilizada, e há indicação de corte de recursos. 
"Claro, que se está contando com a ideia de que mais pessoas irão fazer sua previdência privada nos bancos, então eles são os grandes interessados nisso. É o capital financeiro que tem interesse, e não o produtivo, embora vários empresários apoiem, para o capital produtivo, em minha opinião, é um tiro no pé", afirma.
Trennepohl comentou ainda que não é a falta de capital ou de dinheiro para investir que mantêm a economia estagnada, e sim a ociosidade na capacidade instalada de investimentos. "Porque os consumidores estão comprando menos do que o prejetado inicialmente. Em minha opinião, o problema do crescimetno está na falta de demanda, na falta de capacidade de consumo das famílias e de investimentos do governo."
Além de dados que indicam atividade econômica fraca, foram divulgados nas últimas semanas números que mostram queda da inflação. O IPCA (índice de preços ao consumidor) está em 4,66% no acumulado dos últimos 12 meses. A projeção para o ano é de 3,84%, para uma meta de inflação de 4,25.


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