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Polícia

Novas regras preocupam especialistas em segurança

Postada 09/05/2019



A assinatura do decreto que flexibiliza regras de posse e porte de arma para atiradores desportivos, caçadores e colecionadores, os CACs, amplia os debates sobre o assunto. O decreto oficial foi publicado ontem no Diário Oficial e representantes de instituições que atuam no meio listam prós e contras do documento assinado pelo presidente Jair Bolsonaro.
O comandante Geral da Brigada Militar, coronel Mário Yukio Ikeda, disse que é complicado afirmar que a flexibilização trará mais segurança, até porque o próprio presidente disse que não é um plano de segurança, porém, ele não se preocupa que a população  tenha arma. 
"A população em geral não comete crimes. Então, em relação ao cometimento de crimes por parte da população que portar arma, não há essa preocupação. Mas a partir do momento em que a gente tem um número maior de armas circulando, é natural que aumente o número de furto de armas, a circulação de armas proibidas, e pode também aumentar o número de ocorrências envolvendo armas de fogo."
Ikeda afirma ainda que a criminalidade não usa arma com registro, não compra legalmente, e não tira porte e usa armas mais potentes e importadas. “Então eu não vejo essa relação com a criminalidade. Eu vejo sim uma relação com a população. Tivemos um aumento de crimes de feminicídio, que está ligado à violência doméstica. Então a pessoa que não tem controle do armamento nem do emocional, poderá acabar cometendo feminicídio,  ao ter acesso a uma arma de fogo", ressaltou o comandante.
 Outra preocupação do comandante está relacionada aos suicídios. O Rio Grande do Sul tem um dos maiores índices do País de casos de pessoas que tiram a própria vida. "E tendo o acesso a arma, a pessoa que tem interesse de cometer suicídio vai conseguir concretizar essa ação. Isso também pode aumentar ainda mais os índices de suicídio", pontuou.
Para o comandante geral, o crime de latrocínio é outro índice que pode aumentar em caso de mais armas circulando nas mãos da população. "A maioria dos latrocínios que encontramos ocorre porque quando a pessoa vai ser vítima de roubo reage ou esboça reação. E a pessoa armada tende a reagir e isso pode aumentar esse índice", afirma.
O delegado de polícia Fabio Mota Lopes, subchefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, afirma que estranhou a publicação do decreto de ontem, pois ele revoga o decreto assinado em janeiro pelo presidente Bolsonaro. 
"Houve uma ampliação expressiva do porte de arma e isso nos preocupa, pois teremos mais armas circulando, o que pode aumentar o número de suicídios, de violência doméstica e de armas nas mãos dos criminosos. É uma certa utopia acharmos que os criminosos somente estarão portando armas de fogo que têm origem ilícita, uma arma trazida do Paraguai, por exemplo. A experiência nos mostra que muitas dessas armas que são apreendidas, num primeiro momento elas tiveram uma comercialização lícita", ressaltou.


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