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Polícia

Julgamento do caso Bernardo começa ouvindo testemunhas

Postada 12/03/2019



Após quase cinco anos da morte de Bernardo Boldrini, o caso está se encaminhando para um desfecho. O julgamento, que indicará se os quatro réus são inocentes ou culpados, começou na manhã de ontem em Três Passos. Entres os acusados, estão o pai e a madrasta do menino, Leandro Boldrini e Graciele Ugulini. Respondem também pelo crime os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz
O julgamento está sendo conduzido pela juíza Sucilene Engler, 
Leandro, Graciele, Edelvânia e Evandro respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O pai de Bernardo ainda responde por falsidade ideológica.
Por se tratar de um crime doloso, os réus estão sendo julgados pelo Tribunal do Júri.
Início do julgamento
Na manhã de ontem foram selecionados sete jurados para compor o conselho. Trata-se de um sorteio entre 50 pessoas (25 titulares e 25 suplentes) da comarca de Três Passos que foram convocados no dia 12 de fevereiro
Depoimentos
Ao todo, 14 testemunhas prestarão depoimento, sendo cinco ligadas pela acusação e nove pela defesa de Leandro Boldrini. A defesa de Graciele Ugulini retirou as quatro testemunhas. Os outros réus não indicaram testemunhas. Após o depoimento deles, haverá o interrogatório dos acusados.
A delegada Caroline Bamberg, responsável pelas investigações do caso Bernardo, foi a primeira a depor no julgamento. O depoimento da delegada durou quatro horas. 
Ela disse que existia uma opinião geral que Bernardo sofria abandono e desafeto do pai. “Vários depoimentos nesse sentido”. O Bernardo “era torturado psicologicamente”, acrescentou a delegada. 
A delegada afirmou ainda que a demora no registro do desaparecimento fez parte de estratégia dos réus para montar álibi. Leandro teria efetivamente procurado o filho dois dias depois do desaparecimento. 
A delegada confirmou ainda que as duas rés foram reconhecidas comprando ferramentais, soda caústica. Ela disse ainda que Graciele pagou R$ 6 mil como recompensa pela ajuda da consecução do crime. Os outros R$ 90 mil teriam sido prometidos.
Sobre a participação de Leandro Boldrini no crime, a delegada disse que não teria prova cabal contra o réu. 
Durante o depoimento, os questionamentos da defesa para a delegada geraram momentos de tensão durante o julgamento. A juíza Sucilene Engler teve que pedir que o advogado de Edelvânia Jean Severo se acalmasse  ao interrogar a delegada Caroline. "O senhor trate com urbanidade a testemunha. Nessa sessão, o senhor não vai desconstruir a delegada", afirmou a juíza
Por volta das 18h, a delegada regional, Cristiane Moura, segunda testemunha que participou das investigações do caso, começou a ser ouvida. Ela explicou que a hipótese de assassinato ganhou força com os depoimentos dando conta do abandono e descaso do pai e da madrasta em relação a Bernardo.
Sobre a confissão de Edelvânia, a delegada regional afirmou que “em nenhum momento ela foi coagida”. 
Durante o depoimento da delegada regional,  Leandro Boldrini disse "E a minha vida continua", quando ouviu da delegada que havia poucas chances de encontrar o filho vivo.
Ao responder às perguntas dos defensores dos réus, a delegada falou sobre relacionamento entre pai e filho. Menino sentia admiração pelo fato do pai salvar vidas, mas testemunhas relataram que também havia medo e desgosto com o tratamento recebido.
Jurados 
Durante todo o julgamento, jurados e testemunhas ficarão incomunicáveis. Eles não poderão conversar entre si, nem com outras pessoas. O grupo não terá acesso a aparelho telefônico, internet, televisão, rádio ou jornal e não pode tirar nenhuma fotografia no período do processo, previsto para durar uma semana.
O processo que apura a morte de Bernardo tem cerca de 9 mil páginas, distribuídas em 44 volumes. Se condenados, o crime de  homicídio qualificado prevê pena de 12 a 30 anos. 


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