Notícia

Economia

Novo tripé econômico é desafio para o governo

Postada 09/01/2019



No final dos anos 1990, período de intensa turbulência econômica no Brasil, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, em conjunto com o recém nomeado ministro da Fazenda, Armínio Fraga, apresentou uma estratégia para conferir mais estabilidade à economia do País: câmbio flutuante, meta de inflação anual e meta fiscal para as contas públicas.
Os elementos formaram o que se convencionou chamar de tripé macroeconômico, e foram extremamente eficazes para o controle de diversos indicadores da economia nacional, vigorando até os dias atuais.
"Esse tripé foi desconsiderado entre 2007 e 2015, o que ajudou a nos levar essa situação ruim da qual estamos tentando sair. Apesar de garantir estabilidade, sozinho o tripé macroeconômico não dá mais conta de recuperar a economia, e outras medidas complementares são necessárias", avalia o professor de Economia da Unijuí, Argemiro Brum.
Após o tombo acumulado de 7% do PIB entre 2015 e 2016, e a fraca recuperação dos últimos dois anos, o País precisa crescer a um ritmo anual de 4% para retomar o patamar pré-crise. Para isso, o desafio do novo governo será estabelecer um novo tripé para a economia.
"O ministro da Economia está propondo seu novo tripé: reforma da Previdência, privatizações e desburocratização. São elementos positivos, atacam pontos muito importantes, mas será preciso ver como funcionará na prática", afirma Argemiro Brum, lembrando que as mudanças Previdenciárias têm enfrentado extrema resistência por parte de grupos políticos diversos, colocando o reformismo em xeque.
Outro risco, segundo o economista, se refere às privatizações. "Nem tudo é passível de ser privatizado. Há empresas públicas que dão resultados, que são bem gerenciadas, e que devem ficar sob o controle do Estado. O programa de privatizações ideal é aquele no qual se vende estruturas deficitárias, e se consegue um valor razoável por tais estruturas", afirma o professor de Economia.
Quanto ao processo de desburocratização, que envolve também a mexida em alguns tributos, Argemiro Brum avalia que, com a carga tributária em 36% do PIB, não há como pensar em crescimento sem desonerar os cidadãos.
"Em primeira medida, um ajuste neste sentido deve contemplar mais recursos a Estados e municípios, que estão em grandes dificuldades. Fala-se também em outros movimentos relacionados ao Imposto de Renda, e será preciso ver o que virá".


Edição Impressa


Ver Todas as Edições
Trabalhe no Grupo JM Espaço do Leitor - Assine - Anuncie -
Albino Brendler, 122, Centro, Ijuí-RS
(55) 3331-0300
[email protected] Desenvolvido por