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Educação

Novo ministro preocupa educadores

Postada 06/12/2018



O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), já anunciou o colombiano naturalizado brasileiro, Ricardo Vélez Rodríguez, como ministro da Educação do futuro governo. Formado em Filosofia, mestre em Pensamento Brasileiro, doutor em Pensamento Luso-Brasileiro e pós-doutor pelo Centro de Pesquisas Políticas Raymond Aron, de Paris, o indicado tem ampla experiência docente e gestora. Atualmente, é professor emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército.
Em contato com o Grupo JM, o coordenador geral do Sinpro Noroeste, Valdir Kinn, buscou fazer uma breve avaliação da indicação, ressaltando que “todo juízo antecipado sempre tem um risco”. “Quanto ao fato de o indicado ser colombiano, naturalizado brasileiro, não vejo qualquer problema. Mas temos, neste sujeito, uma tradição extremamente conservadora. E isto não tenho receio de afirmar, mesmo sem conhecer proposições mais específicas”, explicou.
Kinn destaca que Rodríguez tem uma formação militarizada, e que a educação dos brasileiros não pode ser confundida com a formação de oficiais superiores. "Me parece que há riscos de se confundir um projeto educacional de uma nação, que deve buscar sempre a construção de uma educação crítica, emancipadora, que permita ao estudante e futuro cidadão se inserir na sociedade com uma leitura plural”, comentou, lembrando que o futuro ministro tem afinidade com o projeto da Escola sem Partido.
“Um projeto que quer impor uma única ideologia. Esse é um debate muito importante, e toda a sociedade deveria se apropriar dele. Toda a educação carrega em si uma concepção do que seja o ser humano, a sociedade, as relações sociais e as próprias relações de poder. E isto é uma forma de ideologia. O que precisamos ter claro é que existem diferentes ideologias e elas deveriam ser refletidas no próprio processo de educação. Isso é o que chamamos de uma educação democrática, crítica.”
Segundo Kinn, há uma preocupação entre os educadores quanto à Escola sem Partido, já que eles buscam pensar de uma forma democrática. “Falamos de uma perspectiva em que o Estado quer impor uma única leitura de mundo através da educação. E isso, sim, é a ideologização do processo de educação”, afirmou.


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