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Educação

Brasil retrocede em prestígio de professores

Postada 09/11/2018



O Brasil é o país que dá menos prestígio aos professores, segundo o Índice Global de Status de Professores de 2018, divulgado na última quarta-feira pela Varkey Foundation – uma organização voltada à educação. Enquanto há uma tendência global de crescimento no prestígio dado aos professores, o Brasil regrediu nos últimos cinco anos. Em 2013, quando o estudo foi feito pela primeira vez e avaliou 21 nações, o país aparecia na penúltima colocação. Na edição deste ano, com a piora na percepção sobre o respeito dos alunos e com menos pais dispostos a incentivar seus filhos a seguir a profissão, o índice nacional piorou e colocou o Brasil como último do ranking.
Para chegar ao indicador, foram entrevistadas mil pessoas, de 16 a 64 anos, em cada país e mais de 5,5 mil docentes. No Brasil, apenas 9% acreditam que os alunos respeitam seus professores — na China, o líder, 81% veem esse respeito. O dado aparece em consonância com o fato de que só 20% dos pais brasileiros afirmam que encorajariam seus filhos a seguir a carreira — ante 55% dos pais chineses.
Na avaliação do coordenador-geral do Sinpro Noroeste, Valdir Kinn, o resultado revela o contexto histórico, social, econômico, cultural e político pelo qual passa o Brasil. “Temos historicamente muita dificuldade no âmbito da educação e, por consequência, na profissão de educador. Há estudos que mostram que a atividade profissional de professor é uma das que mais causa adoecimento. Aliado a isso, temos um Estado se ausentando na construção de uma educação de qualidade, não trabalhando para que os profissionais tenham uma remuneração digna. Tudo isso acaba reforçado pelo fato de que a relação entre professor e aluno também está sofrendo essa degradação”, avaliou.
Como observa Kinn, nenhum país do mundo conseguiu tornar-se autônomo, efetivamente democrático e desenvolvido sem que a educação estivesse entre suas principais prioridades. Com valorização e reconhecimento do professor. “Estamos numa situação de extrema desvalorização daquilo que entendemos que seja central, fundamental, para constituição de sujeitos humanamente libertos, cidadãos conscientes de sua realidade no mundo. É trágico”, reforçou.
A pesquisa mostra a percepção de falta de respeito dos alunos, salários insuficientes e uma carreira pouco segura para os jovens. Neste primeiro ponto, Kinn lembra que os índices de violência vão se ampliando no âmbito da sociedade, e acabam replicando, na mesma proporção, na educação e nas instituições de educação. “Concebo a violência como sintoma. Assim como uma dor que mostra que algo não vai bem no corpo. E a violência quando é tomada como normal em uma sociedade é sintoma de como ela compreende a si mesmo e como a sua cultura encaminha a resolução de conflitos.” Kinn completa a avaliação destacando que, quando uma sociedade apresenta a solução como violência, revela que há uma degeneração daquilo que realmente importa nas relações. 
Como professor universitário, Kinn acompanha a dificuldade das instituições em ter alunos em cursos de formação de professores. O que também é um indicativo que a situação não vai bem. “O jovem busca realização pessoal, profissional, e reconhecimento. E nas últimas décadas, infelizmente, a profissão de educador foi perdendo seu prestígio e lugar de centralidade no âmbito da construção da cidadania, da coletividade social. Há um processo de desprestígio”, afirma.
O estudo também identificou que a valorização docente está ligada ao desempenho dos alunos. Países com melhores notas no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), maior avaliação de estudantes do mundo, têm maior valorização docente.


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