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Saúde

Câncer pode ter aumento de 78% no Brasil

Postada 14/09/2018



O câncer está avançando e 18,1 milhões de novos casos serão registrados em 2018 no mundo, com um total de 9,6 milhões de mortes. O levantamento, publicado na última quarta-feira pela Agência para a Pesquisa do Câncer, entidade ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), mostra que, se nada for feito, as incidências vão atingir 29,4 milhões de novos casos em 2040, uma expansão de 63% nos próximos 20 anos. 
A mortalidade deve subir de 9,6 milhões de pessoas hoje para 16,3 milhões em 2040. Essa é a primeira vez desde 2012 que novos números estão sendo publicados. Há cinco anos, eram 14,1 milhões de novos casos e 8,2 milhões de mortes. O que as entidades alertam ainda é que serão os países emergentes que mais registrarão o aumento de casos, com um salto de 62% até 2040 e um total de 10 milhões de novos casos.
De acordo com o levantamento, o Brasil somará 559 mil novos casos de câncer, com 243 mil mortes, em 2018. Mas as projeções da entidade apontam que a doença pode sofrer um aumento de 78,5% até o ano de 2040, um dos maiores saltos entre as principais economias. 
“Neste ano, atingimos pela primeira vez a maior causa de mortes na nossa população pelo câncer, ultrapassando as doenças cardiovasculares. Isso se deve, provavelmente, a um aumento da expectativa de vida da população. Não é incomum viver mais que 80 anos e, obviamente, isso faz com que o número de casos de câncer venha a aumentar”, afirma o médico coordenador do Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) do Hospital de Caridade de Ijuí (HCI), Fábio Franke.
O levantamento mostra, segundo o médico, que dados como envelhecimento, pior estilo de vida, infecções, tabagismo, ingestão de bebidas alcoólicas e uma má alimentação estão contribuindo para essa incidência alarmante. Hoje, estão entre os cânceres mais comuns o de mama, nas mulheres, e o de próstata, nos homens. Na lista também estão os cânceres de intestino e de pulmão, todos ligados ao estilo de vida. “Um dado que chama a atenção é o elevado número de casos ligados a um tipo de infecção, como a hepatite, que leva ao câncer de fígado; e o HPV, que leva ao câncer de colo de útero e também ao câncer de garganta e cavidade oral”, lembra o médico, destacando que alguns tipos poderiam ser facilmente evitados com o uso de vacinas, como a imunização contra o HPV. “Essa é uma vacina ofertada gratuitamente pelo governo, mas apenas 30% dos jovens receberam a dose. Temos que avançar em termos de prevenção, e isso passa pela educação. Se nossos governantes não se preocuparem com educação, com as pessoas tendo conhecimento e autocuidado, certamente chegaremos aos números divulgados.”
Na avaliação de Franke, é necessário trabalhar, com as futuras gerações, o autocuidado. Estimular a prática de exercícios físicos, o cuidado com a alimentação e alertar para as consequências dos maus hábitos. 
Questionado se faltam recursos na área da saúde, o médico acredita que se gasta muito e gasta-se mal. “Não falta apenas um incremento. Esse incremento precisa acompanhar o aumento da incidência. Ou seja, teríamos que ter mais de 100% dos valores atuais para acompanhar esse ritmo de casos, com tratamentos cada vez mais caros. Mas o fato é que não existem verbas para prevenção. Um programa educativo nas escolas. Não existe. Não existem exames de rotina à disposição da população. O câncer de colorretal, de alta incidência e alta mortalidade, poderia ser facilmente prevenido com a colonoscopia. Mas não há acesso pelo Sistema Único de Saúde. Nós vemos que as prioridades estão no tratamento da doença avançada, com poucos investimentos em prevenção. Precisamos pensar em equilibrar a situação, para que na ponta, no Centro de Complexidade, seja possível receber casos em estágio inicial. Assim, teremos tratamentos curativos, mais resolutivos e baratos”, opina.
De acordo com Franke, a operação de um novo acelerador linear no HCI fez com que as filas fossem zeradas no Cacon. A grande questão agora está no atraso de repasses pelo SUS e IPE. “Mas em termos de equipamentos de radioterapia, estamos conseguindo atender à demanda. E a previsão é que, no mês de outubro, tenhamos o início da reforma e ampliação do Cacon. Teremos mais espaço para quimioterapia, novos consultórios, fazendo com que a equipe do Cacon, que já conta com 40 médicos, possa atender os pacientes de forma mais ágil e com mais conforto.”
Hoje, de acordo com Franke, o Cacon atende cerca de 350 novos casos de câncerpor mês. São realizadas entre 1,5 mil e dois mil sessões de radioterapia, mais de 100 cirurgias  e mais de dois mil procedimentos em quimioterapia. O número de consultas chega, em alguns meses, a quatro mil. 


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