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Retirada do glifosato do mercado gera polêmica

Postada 27/08/2018



Faltando poucos dias para o início do plantio de soja, uma ação do Ministério Público Federal gerou polêmica no País. A juíza federal substituta da 7ª do Distrito Federal, Luciana Raquel Tolentino de Moura, determinou no início do mês que a União não conceda novos registros de produtos que contenham como ingredientes ativos glifosato, em processo movido pelo Ministério Público Federal. A decisão judicial determina que a Anvisa conclua esses procedimentos até o dia 31 de dezembro, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.
A ameaça de retirar do mercado o herbicida mais usado no País gerou críticas do setor produtivo, e comemoração no lado ambientalista. No meio da polêmica, o  ministro da Agricultura, Blairo Maggi, chegou a fazer confusão, e pediu desculpas ontem por ter informado na véspera que a Justiça brasileira havia cassado liminar que proíbe o uso de glifosato no País. "Minha vontade de resolver essa questão é tamanha que acabei repassando a informação de que a liminar do glifosato teria sido cassada", disse.
Em nota, a Sociedade Rural Brasileira informou que o glifosato atinge as folhas, não os frutos, e que o produto tem risco zero para a saúde. Já o Ministério da Agricultura lembrou que o glifosato é um herbicida de uso disseminado na agricultura mundial, representando mais de 50% de todas as aplicações de agrotóxicos e afins no Brasil e no mundo.
Para o promotor de Justiça de Catuípe, Nilton Kasctin, a decisão do MPF deve ser comemorada. "Realmente o impacto será muito grande, no mercado, porque são US$ 8 bilhões por ano, só no Brasil, em termos de venda e utilização do glifosato, não só no veneno aplicado nas lavouras, mas também em relação à soja e ao milho transgênico, e outros produtos. Cerca de 90% da soja é transgênica, e têm glifosato no DNA", afirma, acrescentando que a sociedade não deverá sentir este impacto. "Se pararmos de plantar soja, a sociedade nem vai notar, porque não experimenta os lucros da soja, existe uma participação nos lucros da plantação."
Para ele, o retrocesso neste sentido é positivo. "Não estou defendendo que os grandes fazendeiros empobreçam, mas que se mude a forma de explorar a terra, porque ela tem que fornecer alimento para a população e não dinheiro para meia dúzia de pessoas, então, se acabar com o glifosato, e com isso com a soja, o que não irá acontecer porque há outras alternativas, haverá um incremento na produção de alimentos, e não  uma exclusividade da plantação. Com certeza haverá projetos, a tecnologia existe, para a agricultura familiar inclusive, e não haverá problema para a sociedade brasileira."
Agronômo da Emater, Gilberto Bortolini disse que a área técnica da Emater ainda não tem um posicionamento relativo a esta questão.  "Não temos uma posição conclusiva sobre isso e estamos muito apreensivos, porque momentaneamente não temos outro produto para substituir no manejo das culturas de plantio direto e isso impactaria um problema seríssimo para a agricultura. Se confirmadas algumas informações de problemas para a saúde humana, teremos que rever como trabalhar isso", comenta, acrescentando que são necessárias mais informações para orientação, tanto dos produtores quanto da área técnica.
Em recurso apresentado no TRF-1, a AGU defendeu a revogação imediata da proibição, destacando que o impedimento, se mantido, geraria "grave risco de lesão à ordem econômica" e impacto de bilhões de reais para a balança comercial.


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