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Trabalho Infantil causa prejuízos à saúde

Postada 12/06/2018



Nesta  terça-feira, celebra-se o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil – caracterizado como qualquer trabalho exercido por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima permitida em lei. No Brasil, o trabalho é proibido para quem ainda não completou 16 anos, no entanto, quando realizado na condição de aprendiz, permite-se a partir dos 14 anos. Se for trabalho noturno, insalubre ou atividade descrita na Lista TIP – Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil, a proibição se estende aos 18 anos incompletos. 
“Este é um tema polêmico, que não nos permite julgar. Por vezes os pais não entendem o risco do trabalho para crianças e jovens”, explica a fisioterapeuta do trabalho do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), Luciane Antes. Ela lembra que o tema estará em pauta na sexta-feira, no Centro de Eventos da Unijuí, a partir das 7h30, quando terão início dois eventos: 1º Fórum Macrorregional Missões sobre Trabalho Infantil e o 1º Fórum Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil.
“É necessário identificar o que é perigoso para este público. Crianças e adolescentes estão vulneráveis a doenças e acidentes de trabalho. Uma criança pode desenvolver deformidades de coluna, que já nesta fase causam prejuízos e que depois, na vida adulta, podem formar um adulto com dificuldades para trabalhar. Um adulto com 30 anos que passa a peregrinar em filas do INSS em busca de afastamento, seja porque tem uma má formação, porque não suporta peso ou possui uma hérnia de disco”, explicou Luciane. 
Ela lembra que a criança não tem o sistema imunológico ou sistema respiratório desenvolvidos, por exemplo, e estão suscetíveis a intoxicações, alterações auditivas, cognitivas, e correm o risco de ter o emocional afetado, assim como a aprendizagem. “A criança que trabalha não tem tempo de repouso e nem de estudo”, disse.
De acordo com dados do Censo 2010, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ijuí possui 496 crianças e adolescentes em situação de trabalho. O número alto pegou outros municípios da região de abrangência do Cerest – são 57, ao total – de surpresa. “É difícil dizer, mas pode haver algum erro no levantamento, dependendo de como o recenseador fez a pergunta ou da forma como foi respondido o questionamento. Mas a verdade é que o trabalho infantil existe e que alguma coisa precisa ser feita."
O Cerest é um centro articulador de ações que busca dar suporte técnico à Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador, no sentido de trabalhar questões relacionadas ao trabalho e, dentre elas, o trabalho infanto-juvenil.
Em qualquer caso de suspeita de trabalho infantil, a denúncia pode ser realizada à Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente, que engloba desde a Promotoria de Justiça até o Conselho Tutelar. No anonimato, o cidadão também pode realizar a denúncia pelo Disque 100 – Disque Direitos Humanos.
Para participar das discussões nos Fóruns, na sexta-feira, é necessário realizar inscrição prévia pelo e-mail [email protected] Mais informações pelo telefone 3333-4855.


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