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Economia

Desenvolvimento passa por ações concretas

Postada 11/06/2018



Em mais uma rodada da série de debates sobre desenvolvimento socioeconômico do município, promovidos pelo Grupo JM, representantes de diferentes setores da sociedade abordaram o tema por ângulos distintos.
Convidado desta semana, o professor do programa de Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento e ex-reitor da Unijuí, Martinho Kelm, defendeu o entendimento sobre desenvolvimento de uma maneira ampla e, principalmente, integrada entre diversos setores, rompendo limites territoriais de municípios.
"A partir desse conceito regional, nós teremos cidades com vocações diferentes e que possam se complementar. O problema é que todos são favoráveis, por exemplo, a ter um aeroporto regional, desde que seja no seu município. Então temos que pensar o desenvolvimento em termos de região", afirmou.
Nas últimas semanas, uma espécie de  processo de fuga de empresas de Ijuí tomou conta do debate público, após a empresa Taimak anunciar a transferência de suas operações para o município vizinho de Coronel Barros.
O diretor da empresa, Samir Oliveira, participou do debate de ontem e lamentou a repercussão. "Infelizmente, parece que a Taimak só exisitiu para o município agora", fazendo referência a uma oferta do poder Executivo para que a indústria continue operando em Ijuí.
"Falta um pouco de auxílio do poder público no que se refere aos distritos industriais, pois operamos, atualmente, em uma área residencial. Isso nos traz uma série de dificuldades, como a não liberação de alvarás e licenças ambientais. Um exemplo disso é que fomos descredenciados do BNDES, e não podemos mais vender máquinas financiadas, e tivemos que remanejar situações para lançar um financiamento próprio. Foi quando pedimos uma área ao município em 2015, ainda no governo Ballin, e fomos contemplados com um imóvel próximo ao lixão. Ficamos contentes, na expectativa do processo se desenrolar, e até hoje aquela área continua do mesmo jeito, vazia", relata Samir Oliveira.
A situação, segundo o empresário, é a mesma de inúmeras outras empresas, que levam o nome de Ijuí até a outros países, além de gerar empregos, renda e tributos ao município.
Um dos gargalos apontados é a burocracia, já que, segundo Samir Oliveira, uma série de empresas tem recursos e intenção de investir, mas esbarram na falta de incentivos.
Para o professor Martinho Kelm, é preciso encontrar um modelo que alie proteção ao patrimônio público, à eficiência nas políticas de incentivo.
"Não fazemos, efetivamente, um investimento na modernização do serviço público, e isso ocorre em diversos órgãos, desde tabelionato, registros, prefeitura, governo do Estado. Quando se fala em cidades inteligentes, por exemplo, o conceito é que o cidadão tenha acesso rápido e fácil a diversos serviços públicos", explica Martinho Kelm,
Ele cita, ainda, o exemplo da rapidez nos processos para Microempreendedores Individuais. "Mesmo neste quesito, quando há uma complexidade burocrática maior, os problemas começam a aparecer", afirma.
É neste contexto que o ex-reitor da Unijuí lança a ideia de um pacote de serviços, como forma de incentivar o empreendedorismo no município.
"A universidade fez um projeto, recentemente, sobre distritos industriais. A conclusão é que não basta doar um terreno, e ainda com uma série de restrições. A minha perspectiva é que o empresário que receber um terreno deve, necessariamente, assumir um compromisso de receber um pacote de serviços. Isso envolve qualificação em termos de gestão e planejamento, ou seja, articular um conjunto de ações a partir de um projeto. O empreendimento não se dá só a partir de um terreno, mas sim a partir de uma série de questões burocráticas", defende.
A coordenadora da Faculdade América Latina (FAL), Celisia Bohn, corrobora com esta linha de pensamento, e propõe uma maior informatização de processos e informações necessárias ao empreendedor local.
"Pensar desenvolvimento para o município significa contemplar, também, estas questões da tecnologia da informação, que hoje são muito latentes. Não podemos esquecer, também, da questão cultural, de que é preciso se desapegar daquilo que nos constituiu e nos reencontrar em um novo contexto. Do contrário, ficamos discutindo pessoas e casos, sem pensar de maneira objetiva o desenvolvimento. As pessoas estão cansadas de bons discursos e de poucas práticas", pontuou.
Ações práticas
"É muito palpite e pouca objetividade". Dessa forma, o professor Martinho Kelm definiu as discussões atuais sobre o desenvolvimento socioeconômico de Ijuí.
Segundo ele, é preciso assumir projetos e metas objetivas. A prova de que é possível é o Hospital Bom Pastor, do qual é diretor. "Através de diversas fontes, já investimos R$ 25 milhões no projeto do hospital, que quando iniciar as operações no novo espaço vai gerar 90 novos empregos no setor de saúde. O problema é que nos falta R$ 1 milhão para concluir o projeto, e estamos em dificuldades para conseguir esse valor. Em Santa Rosa, somente no ano passado, os empresários investiram R$ 8 milhões no hospital da cidade. Com muito menos que isso, geramos uma média indústria aqui em Ijuí. Temos ações concretas que poderiam ser feitas, mas que saem do âmbito objetivo e ficam no discurso genérico, pois com isso ninguém assume a responsabilidade".
Para o diretor da Taimak, a aplicação de recursos na atividade produtiva é viável, além de representar parte significativa do processo de desenvolvimento da economia local. "Com boa dose de gestão, com análise de custos e de mercados, o investimento na produção é, sim, rentável. Exemplo disso é que muitas empresas cresceram em Ijuí nos últimos anos. A Balmer, a Gimenez, Hidroenergia e várias outras não só cresceram, como deram grandes saltos tecnológicos, gerando renda e receita ao município", afirma Samir Oliveira.
Entusiasta do empreendedorismo, Celisia Bohn também defende a valorização do setor produtivo local, principalmente de pequenas empresas.
"Acredito que devemos lançar outro olhar sobre as empresas de pequeno porte, pensando de que forma elas aparecem no desenvolvimento municipal", avalia.


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