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Economia

Banco Central mantém Selic em 6,5% ao ano

Postada 17/05/2018



O Banco Central surpreendeu ontem ao anunciar a manutenção da taxa básica Selic em 6,5% ao ano, interrompendo um ciclo de queda de juros iniciado em outubro de 2016.
Em comunicado, o Banco Central informou que os últimos indicadores de atividade econômica "mostram arrefecimento, num contexto de recuperação consistente, mas gradual, da economia brasileira." Segundo o BC, o cenário externo se mostrou mais desafiador e apresentou volatilidade.
"A evolução dos riscos, em grande parte associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas, produziu ajustes nos mercados financeiros internacionais. Como resultado, houve redução do apetite ao risco em relação a economias emergentes", afirmou o BC em comunicado.
A decisão ocorre em meio às preocupações com aumentos adicionais na taxa de juros americana. Os títulos de dívida americana com vencimento em dez anos bateram 3,1% ontem. Alguns economistas questionam se o Brasil teria condições de sustentar um diferencial de juros tão baixo em relação aos EUA, considerando que os papéis americanos estão entre os ativos mais seguros do mundo.
O Banco Central informou que a evolução do cenário básico e do balanço de riscos tornou "desnecessária uma flexibilização monetária adicional" para impedir o risco de adiamento da convergência da inflação rumo às metas estabelecidas pelo CMN, de 4,5% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Ontem pela manhã, o professor de Economia da Unijuí, Argemiro Brum, já anunciava que o câmbio desfavorável ao real mostrava que a estratégia de queda da Selic poderia ser interrompida mais cedo.
"Estamos vendo a saída de dólares do País, um sinal de que a economia fraqueja. No geral, as coisas não estão boas, e o sinal cambial mostra isso claramente. O Banco Central já tentou vender reservas para segurar o câmbio, e talvez no futuro próximo tenhamos que comprometer a queda da Selic, e inverter esse processo. Talvez o governo seja obrigado a elevar a Selic ainda neste ano", avalia.
A trajetória de queda da Selic foi iniciada em 19 de outubro de 2016, sob o comando de Ilan Goldfajn, que assumiu o comando do BC em 17 de maio de 2016. Naquela reunião, o Copom reduziu os juros de 14,25% para 14% ao ano, a 1ª queda em quatro anos, com objetivo de tirar a economia brasileira da crise. Desde então, o BC reduziu a Selic por 12 reuniões consecutivas.


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