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Economia

Crise argentina afeta economia no Brasil

Postada 14/05/2018



Uma combinação de tropeços internos e um cenário externo mais turbulento levaram a Argentina à atual crise cambial.
A valorização global do dólar provocou uma desvalorização nas moedas dos países emergentes como Brasil, Colômbia e Turquia. Mas a onda pegou a Argentina em um momento de particular fragilidade política e econômica.
No campo das finanças, o país tem uma taxa de inflação muito mais elevada do que a do Brasil e a de demais países latino-americanos, à exceção da Venezuela. No ano passado, foi de 25%. No Brasil, de 2,95%.
Nos primeiros quatro meses do ano, uma seca severa ajudou a inflar os preços dos alimentos e baixou expectativas de receitas com a exportação de grãos. Isso elevou a insatisfação dos argentinos, que já estavam sob o impacto de reajustes nos preços das tarifas de energia e de transportes, congelados durante anos nas gestões de Néstor e Cristina Kirchner.
O resultado é uma inflação que está rodando acima de 2% e que, nos primeiros três meses do ano, foi de 6,7%.  
No campo político, o impopular aumento de tarifas provocou fissuras na coalizão política que sustenta Mauricio Macri, o que deixou investidores desconfiados sobre a capacidade de o presidente executar as transformações econômicas que prometeu.
Um exemplo é o avanço de um projeto de lei, proposto pela oposição mas com apoio de governistas, de limitar aumentos de tarifas.
Além disso, a desconfiança de investidores cresceu com a suspeita de que o banco central da Argentina esteja sofrendo influência política, desde que o governo decidiu rever a meta de inflação deste ano.
Esta conjuntura levou o ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, a ter nesta semana a primeira reunião com membros do FMI (Fundo Monetário Internacional) para negociar um empréstimo para o país, o primeiro em 15 anos. O total tomado deve chegar a 20 bilhões de dólares.
A crise argentina, porém, não deve se limitar ao cenário interno, afetando, principalmente, grandes parceiros comerciais, caso do Brasil.
"Em termos comerciais, os setores que mais exportam para a Argentina são mais afetados. O setor automobilístico, o calçadista e parte do setor primário, principalmente as indústrias de suínos e de frangos, acabam sofrendo muito com isso, porque a tendência é que as compras externas do País vizinho caiam drasticamente", explica o professor de Economia Argemiro Brum.
Com a desvalorização da cotação da moeda argentina frente ao dólar, o custo dos produtos brasileiros - e de qualquer outro País - acaba ficando mais elevado.
"É difícil que os setores atingidos consigam desovar seus produtos no mercado interno. O que pode ocorrer é uma queda do processo produtivo, justamente no momento em que começávamos a nos recuperar em setores estratégicos, como o de veículos", avalia o especialista.
Além de possíveis prejuízos às vendas externas brasileiras, a crise fiscal da Argentina ainda pode ser analisada sobre outro prisma, servindo como de alerta à economia do Brasil.
"Embora estejamos bem mais preparados para crises desse tipo, temos um problema estrutural muito semelhante ao caso argentino: o déficit público elevado. No caso da Argentina, o governo não conseguiu controlar o orçamento, gastando muito mais do que podia. Ainda não chegamos a esse patamar, mas se a política de gastos seguir um rumo de irresponsabilidade, o Brasil pode facilmente chegar a uma situação fiscal caótica como nossos vizinhos chegaram", exemplifica Brum.


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