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Saúde

Amrigs repudia proposta do Ministério da Saúde

Postada 22/03/2018



A Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) demonstra preocupação com a inclusão de 10 terapias alternativas nos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o presidente da entidade médica, Alfredo Floro Cantalice Neto, as práticas não possuem embasamentos de eficácia devidamente comprovados na área médica. Além disso, ajudam a elevar os custos do SUS, podendo prejudicar programas sociais já estabelecidos.
"A Amrigs é contrária e repudia esta proposta do Ministério da Saúde. O objetivo, e aí que não concordamos, porque são terapêuticas sem nenhum estudo científico, na prática é de promover o bem-estar e diminuir o estresse e ansiedade da população. Ora, a gente sabe que o SUS é o maior, ou melhor, sistema de saúde do mundo, podemos dizer assim. Todas as práticas caras é o SUS que arca com a responsabilidade. Tratamento da Aids, que é caro e prolongado, as campanhas de vacinação, os transplantes, tudo é feito pelo SUS, e com isso o custo é muito alto. Ao mesmo tempo, a população reclama muito, em função das filas, porque em algumas especialidades leva-se até um ano para conseguir atendimento. Ao invés de aplicar na contratação de mais médicos, mais enfermeiros, mais fisioterapeutas, mais psicólogos, de equipar os postos de saúde, emergências e as UPAs, esse dinheiro o Ministério investirá em práticas terapêuticas que não têm embasamento científico", afirma Cantalice e reforça. "Ao invés de investir nas políticas, que é onde deve investir, está gastando dinheiro com isso."
O presidente participou de reunião com a Associação Médica Brasileira (AMB) e Conselho Federal de Medicina (CFM) em que o tema foi amplamente debatido, e as entidades se posicionaram contrárias à medida do Ministério.
"Não tem comprovação científica nenhuma. Se ocorrer complicações, o paciente irá para uma emergência e precisará de tratamento mais caro do que se fizesse o tratamento inicial em uma unidade de saúde. O SUS tem que investir no que já tem, melhorar o que já tem", reforça, acrescentando que no RS, apesar das filas, o sistema de saúde tem dado certo, e cita Ijuí como um dos exemplos. "O conselho  da Amrigs conta com seis médicos de Ijuí, atuantes, e a gente vê como o sistema é bom."
Para Cantalice, o dinheiro deve ser investido em programas de saúde dentro dos municípios, evitando o transporte de pacientes para outras cidades - a chamada ambulancioterapia. "Nossa posição será sempre em defesa do bom exercício da Medicina, valorizando e incentivando todas as ações que promovam a saúde e o bem estar, desde que estejam amparadas por estudos científicos e de eficácia comprovada, o que não é o caso. O gasto com estas práticas pode elevar a defasagem dos investimentos em outras áreas da Medicina que precisam de maior atenção", resume.
As novas práticas de tratamentos alternativos são apiterapia, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, hipnoterapia, imposição de mãos, ozonioterapia e terapia de florais.


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