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Coluna Nilton Kasctin dos Santos

Publicada 13/11/2017

Uma história de fé

A história de vida de um árabe que viveu há cerca de dois mil anos antes de Cristo serve de exemplo para quem quer se dar bem na vida. Esse homem, que vivia com seus sete filhos e a esposa numa região que hoje fica no sudeste do mar Morto, era rico em todos os aspectos.
Materialmente: maior fazendeiro da região. Tinha sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentos jumentos, mil bois de arado (o que revela que ainda era dono de imensas plantações). Afetivamente: grande líder, equilibrado e sensível ao sofrimento alheio. Conselheiro e misericordioso. Pai amoroso, era ele próprio o sacerdote de sua família, proporcionava aos filhos todo ensinamento e conforto, e sempre intercedia por eles em orações para que vivessem felizes e abençoados por Deus. Sempre alegre e sorridente, contagiava a todos com seu jeito singular de tratar as pessoas.
Intelectualmente: administrador eficiente de sua megaempresa rural. Mesmo repleto de afazeres cotidianos, nunca deixou de participar das decisões de sua comunidade. Era tão sábio, que os príncipes, generais, chefes e intelectuais silenciavam reverentes para ouvi-lo. Sua autoridade intelectual e moral era tão respeitada, que até mesmo os idosos tinham o hábito de levantar-se quando ele passava.
Eticamente: era justo e sincero. Corria riscos e se expunha em favor dos injustiçados, assumindo postura ativa em defesa dos mais fracos, e por isso era chamado “pai dos necessitados”. 
Há mais de quatro mil anos a vida desse homem inspira a produção de livros, poesias, músicas, filmes, peças teatrais e sermões em todos os cantos do mundo. E continuará inspirando. Até mesmo o clássico filme Amadeus tem raiz poética na história desse homem. O grande Calvino escreveu 159 sermões sobre essa fantástica história de vida.
Curioso que, mesmo com esse currículo irrepreensível, em certa altura da vida esse homem sofre a maior desgraça que se pode imaginar. Perde todos os bens, morrem todos os seus filhos, e ainda é acometido de várias doenças incuráveis. Dos milhares de amigos, restam-lhe agora só três, que aparecem para julgá-lo culpado da própria desgraça.
Sem dinheiro, sem amigo verdadeiro, sem família e doente. Mas o homem permanece firme em seu propósito de ser justo, sincero, equilibrado, conselheiro, afetuoso.
Incrivelmente, consegue reerguer-se. Recupera a saúde, nascem-lhe ainda dez filhos, e os bens materiais voltam em dobro; perdera sete mil ovelhas, mas agora tem 14 mil; em lugar dos três mil camelos que morreram, agora tem seis mil. Com os jumentos e bois, a mesma coisa.
Seu nome: Jó, que em hebraico significa “voltado sempre para Deus”.
Seu segredo: fé incondicional em Deus.
Fé incondicional significa crer sem esperar nada em troca e sem tentar encontrar prova científica da existência de Deus. Foi essa fé que permitiu a esse camponês chegar à posição mais ilustre de sua nação, do ponto de vista moral, intelectual, social, ético, espiritual e afetivo. Essa fé lhe deu condições de suportar os momentos difíceis. Foi essa fé que levou esse homem a renascer do pó para testemunhar o infinito poder de Deus pela história afora. Em razão de sua fé incondicional em Deus, que anda sempre acompanhada pelo amor incondicional ao próximo, Jó se tornou conhecido como o pai dos necessitados.
Foi essa fé que lhe permitiu viver até bem velhinho para brincar com os netos e bisnetos e depois morrer feliz aos 140 anos, saudável, rico, respeitado e realizado em todos os aspectos.
 

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