AO VIVO


Coluna Nilton Kasctin dos Santos

Publicada 19/06/2017

O progresso

O homem moderno se ufana de descobrir técnicas de conforto e comodidade. Mas suas descobertas tecnológicas de regra militam contra a paz, a liberdade, a alegria, a saúde e a convivência fraterna.
Quase todas as doenças modernas têm origem na mudança de comportamento das pessoas. Mudança ditada pela tecnologia do conforto e da comodidade. Antes dos alimentos industrializados, do satélite, computador, avião, celular, luz elétrica, não se falava em obesidade, doença da qual surgiu essa verdadeira epidemia de diabetes, problemas cardiovasculares, cânceres etc. Também não se falava em Aids, depressão ou Alzheimer. A água dos rios era própria para consumo, não havia rios entupidos de lixo e sem mata ciliar, propiciando enchentes e outros desastres socioecológicos.
Mercê da tecnologia, vivemos isolados, cada vez mais egocêntricos e egoístas, enxergando no nosso irmão, vizinho ou colega de trabalho apenas um rival. E esse isolamento de ordem humana, que se assenta na alma, já evoluiu para o isolamento físico. Habitamos entre grades de ferro com medo do nosso irmão. Nossa casa já não é mais um lugar de segurança, liberdade e paz, mas um esconderijo onde nos homiziamos apreensivos ao menor barulho.
Mas insistimos que os inventos do homem para tornar a vida mais cômoda significa progresso.
Com a descoberta dos agrotóxicos, pensou-se que seria o fim da fome no mundo, pois as plantações agora podem vicejar livres das pragas e ervas daninhas. Mas esse revolucionário invento o que fez foi provocar desemprego em massa no campo, intensificação do êxodo rural e, inacreditavelmente, o aumento significativo da fome. De quebra, serviu para contaminar severamente o meio ambiente, provocando desequilíbrio na fauna e na flora. Sem falar na desastrosa consequência para a saúde humana. Mas aos olhos humanos a invenção dos venenos foi e continua sendo um incomparável progresso.
Agora vivemos a euforia dos transgênicos. Embora sabendo que essa tecnologia intensifica ainda mais a desigualdade no tocante à distribuição de renda, além de provocar o aparecimento de doenças novas - como ocorreu com os agrotóxicos -, não vamos retroceder. Acreditamos que essa descoberta é mais um grande passo para o progresso. 
Realmente o ser humano é uma figura estranha. Mostra-se cada vez mais empenhado em contrariar os mandamentos do Criador, que o instituiu como zelador da obra da Criação. Ao invés de cumprir sua tarefa original de cuidar da vida do Planeta, destrói a Natureza a pretexto de estar progredindo. Depois, mesmo inventando algo para tentar consertar o estrago que causou, nunca consegue sequer imitar a Natureza. Além disso, a cada “bem-sucedida” invenção para satisfazer suas necessidades sempre ilimitadas, cria uma nova forma de destruição da vida (da sua própria). Mas chama isso evolução, progresso.
Progresso não deveria ter relação com tecnologia, ciência, grandes invenções e descobertas, tampouco com acúmulo de bens materiais, fama ou poder. Todas essas coisas até podem ser boas, mas deveriam estar sempre em segundo plano. Em primeiro lugar deveria estar o amor a Deus e ao próximo. Cristo estava coberto de razão quando ensinava essas coisas. Só assim o homem respeitaria as leis da Criação e passaria a praticar a fraternidade. Em outros termos, só assim o homem cuidaria da sua morada planetária e compreenderia o sofrimento do outro. Nisso é que deveria consistir a essência do verdadeiro progresso.

Edição Impressa


Ver Todas as Edições
Trabalhe no Grupo JM Espaço do Leitor - Assine - Anuncie -
Albino Brendler, 122, Centro, Ijuí-RS
(55) 3331-0300
[email protected] Desenvolvido por