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Coluna Nilton Kasctin dos Santos

Publicada 30/10/2017

Cristianismo sem Cristo

A prisão de Jesus não foi postulada pelo órgão acusador do Estado, muito menos por alguma vítima de eventual crime que tivesse cometido o Mestre, mas pelos próprios líderes religiosos. Os mesmos organizadores da mais importante festa de adoração a Javé, a Páscoa.
O julgamento é sumário. Com provas falsas, testemunhas mentirosas e sem direito de defesa. Mesmo sem antecedentes, a condenação é à pena capital. Jesus deve morrer pregado numa cruz. Depois de inominável tortura física. 
A emoção toma conta dos líderes religiosos do Judaísmo e de suas seitas (fariseus, saduceus etc.). É a Páscoa mais importante desde Moisés. Porque Jesus pregado na cruz, morto, representa a melhor resposta a quem ousou atacar a tradição político-religiosa. A tradição que privilegia o rico e oprime o pobre. Que classifica as pessoas em castas inferiores e superiores, em pecadoras e santas. A tradição que dita pela aparência quem é de Deus ou do diabo.
Alguém tem dúvida de que Jesus morre apenas por defender a justiça e a verdade? 
E morre nas mãos dos líderes do Judaísmo e de suas seitas. Que roubam em nome de Javé. Enganam, mentem, enriquecem e praticam toda sorte de injustiça. Tudo em nome de Deus. A decadência moral desses líderes é tal, que agora já estão aptos a matar. Em nome de Deus.
É assustador, mas vejo uma semelhança meridiana entre o Judaísmo que matou Jesus e o Cristianismo do Brasil de hoje.
Claro que no Brasil existem cristãos genuínos. Que não aceitam a situação deplorável em que se tornou o Cristianismo moderno. Assim como havia judeus fiéis cumpridores dos Mandamentos. Que defenderam Jesus e choraram sua morte.
Mas, como instituição, o Cristianismo brasileiro está em frangalhos. Metido até ao pescoço com a corrupção, a injustiça e a mentira. Exatamente como o Judaísmo da época de Jesus.
E a principal causa dessa decadência do Cristianismo brasileiro é o seu profundo envolvimento com a política. Bem como aconteceu com o Judaísmo e suas seitas da época de Jesus, que um dia decidiram lançar candidatos a cargos políticos para defender os interesses de sua agremiação religiosa.
Em troca de privilégios do Estado, igrejas cristãs, através de seus líderes, não vendem apenas os votos dos fiéis, mas também a dignidade de pessoas honestas que são enganadas em nome de Deus.
E os argumentos usados por esses líderes são os mais infames e mentirosos. Em eleições passadas, defendiam seus candidatos porque havia risco de fechar as igrejas. Agora o argumento é o perigo de extinção da família.
A propósito, informo que a família jamais será tocada por quem quer que seja, porque ela é um instituto divino. Desde o Éden, ninguém conseguiu destruí-la. Nem em Sodoma.
A família não precisa de defesa. Quem lançar candidato pela família está te enganando.
Quem precisa de defesa são os pobres, doentes, idosos, crianças e mulheres vulneráveis, os índios, os negros pobres e a Obra da Criação (os animais, a água e as florestas). Só que para essa finalidade nunca houve candidato cristão. Porque com essas bandeiras não é possível enganar o eleitor.
Os seis brasileiros mais ricos acumulam a mesma riqueza que 50% da população mais pobre do País. Esses seis possuem riqueza equivalente ao que possuem juntos outros cem milhões de brasileiros. Um dos seis é dono da rede Globo.
 Sabe o que estão fazendo os parlamentares ditos cristãos? Votando pela continuidade dessa injustiça. Em nome de Cristo.

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