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Coluna Sônia Arriens Cassel

Publicada 20/10/2017

COISAS DA VIDA

Todos temos a necessidade fundamental de ser amado e admirado, de ser especial. Desejamos ser importantes -  se não formos famosos ou ricos, precisamos ter algum significado. Temos um "âmago oco" que anseia por ser preenchido.
Larry Crabb diz algo surpreendente: "Na medida em que esse âmago oco for preenchido, experimentaremos um profundo senso de inteireza, uma alegria indizível, uma convicção motivadora de que a vida faz sentido, de que nos encaixamos, de que aquilo que fazemos é importante. Mas quando o âmago oco está vazio, nossas almas são dilaceradas por uma dor insuportável, uma solidão latejante que exige alívio, um senso mórbido de inutilidade que nos paralisa com raiva, cinismo e frustração." 
Segundo Crabb, a base dos problemas emocionais está no compromisso que temos de depender de nossas manobras para proteger-nos da dor de um âmago oco. "O âmago oco é experimentado como uma sede profundamente pessoal, um anseio por algo que não podemos satisfazer em e por nós mesmos. Assim, precisamos perguntar pelo que ansiamos, pois nossa natureza, quer física, quer pessoal, tem horror ao vácuo. O resultado é uma vida vivida inteiramente a serviço do próprio Eu, uma busca louca de qualquer coisa que ofereça a esperança de realização".
O que fazer então? Cavalcanti propõe o autoexame. Para ela, trata-se de uma oportunidade de nos interrogarmos sobre aqueles medos que assombram nossa alma: medo de nos conhecer, de nos entregar e sermos íntimos, de amar e nos decepcionar.
A mudança é importante nesse processo, precisamos enfrentá-la e, juntamente com ela, fazer rompimentos que são necessários para nos tornar pessoas autênticas. Concordo com Cavalcanti que, se não encaramos nossas "tempestades interiores", elas refletirão em nossas relações mais íntimas, em nosso mundo exterior. "E nós não temos nenhum poder sobre uma pessoa autêntica, que é honesta consigo mesma. Ninguém a fará tremer diante da verdade, pois ela é verdadeira. Entretanto, se uma pessoa mente para si mesma, ainda que ela tenha grandes ideias, grandes realizações em seu currículo, grandes teorias elaboradas e experiências excepcionais, ela temerá diante de certas situações. Nada justifica a forte tensão emocional e a ausência de paz que acompanha aquele que se habituou a mentir para si mesmo e para o outro." (Cavalcanti).
Crabb diz algo muito profundo: "Uma das melhores maneiras de nos conscientizarmos dos nossos anseios é refletir sobre as decepções mais ricas que já sentimos nos relacionamentos com pessoas importantes para nós e entender o que poderia ter sido feito que nos teria trazido alegria. Cada um de nós deseja fervorosamente que alguém nos veja da forma exata como somos, com todos os nossos defeitos, e ainda nos aceite." Reconhecer e admitir nossos medos e anseios mais profundos já é um bom começo!

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