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Coluna Nilton Kasctin dos Santos

Publicada 16/10/2017

Os agrotóxicos e a Ciência fajuta

Antes de ir para o mercado, os agrotóxicos são testados em animais. Basicamente pelos chamados “Teste DRAIZE” e “LD50”.
O Teste DRAIZE: consiste em aplicar a substância química nos olhos ou na pele de animais para medir a toxicidade. Principalmente coelhos, são amarrados em um instrumento fixo, ficando apenas com a cabeça para fora. O veneno a ser testado é pingado de quando em quando dentro dos olhos (mantidos abertos com grampos ou fitas adesivas). Por estar preso e não poder fechar os olhos ou coçar o local da agressão, o animal apenas grita de dor, chegando até mesmo a fraturar o pescoço na tentativa de escapar. O procedimento dura vários dias, até que o olho vire uma crosta infecciosa, acompanhada de cegueira completa. Tudo para “saber” o grau de toxicidade da substância a ser lançada no mercado.
Ora, desse jeito até água potável faz mal. Teste completamente inútil. 
O Método LD50: O agrotóxico é ministrado (via oral ou venosa) aos poucos a um grupo de animais (cães, macacos, coelhos, ratos etc.), até que morram 50%. Todo o grupo, normalmente em torno de 200 indivíduos, sofre longo processo de tortura, definhando lentamente até à morte. Essa forma cruel de experiência científica foi inventada em 1927, e até hoje é utilizada em larga escala pela indústria química.
Os testes de laboratório são feitos com um tipo de agrotóxico por vez, não levando em conta que nas plantações são aplicados vários tipos de venenos diferentes, misturados ou uns após os outros, em intervalos curtos ou médios, de maneira que resíduos de vários tipos de venenos interagem entre si e com o solo, com o ar, com a água e no corpo dos organismos vivos. Impossível identificar em laboratório as consequências da ação conjunta de diferentes tipos de agrotóxicos para o meio ambiente e a saúde.
Esses testes em animais são concluídos em períodos curtos (2 a 4 meses), impossibilitando saber os efeitos crônicos provocados por contatos prolongados com agrotóxicos.
Observe-se que a cada evento de ataque intenso de pragas ou doenças aparecem no mercado, de repente, dezenas de agrotóxicos novos. Foram testados?
As conclusões das experiências em animais não apontam antídotos para casos de intoxicação acidental.
Quem realiza esses testes é o próprio fabricante do veneno, cujo interesse único e exclusivo é lucrar com a venda do produto.
Então, qual a utilidade das experiências em animais para a proteção da saúde humana?
NENHUMA. Afirma o Dr. Christopher Smith, médico respeitado da área de intoxicação acidental: “Em 17 anos de experiência, não conheço nenhum exemplo em que um médico socorrista tenha utilizado os dados de testes Draize. Nunca usei os resultados de testes em animais para tratar de casos de envenenamento acidental” (SINGER, 2010, p. 83). Os médicos se orientam por experiências de casos reais com seres humanos.
Mas por que ainda se faz esse tipo de experiência?
PARA DEFESA DOS INTERESSES ECONÔMICOS DO FABRICANTE. A lei não obriga a utilização de animais para testes científicos. Mas essa metodologia ultrapassada (inventada há quase cem anos) é a maneira mais eficaz de o fabricante e o comerciante serem inocentados em processos judiciais por intoxicação humana ou dano ambiental. É só provar que o veneno foi testado antes da colocação no mercado, que a Justiça sempre julga em favor das empresas que fabricam e comercializam o agrotóxico.
Essa é a ciência fajuta que está por trás dos agrotóxicos.

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