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Coluna Nilton Kasctin dos Santos

Publicada 09/10/2017

Ciência, agrotóxicos e transgênicos

A ciência só pode ser reconhecida como tal quando é posta à prova de forma permanente. E só pode ser confiável quando manejada por pesquisadores isentos.
Não é o que ocorre em relação aos agrotóxicos e transgênicos no Brasil. Quem realiza pesquisas antes da autorização de registro de venenos ou sementes são as próprias empresas que comercializam esses insumos, ou então outras empresas por elas contratadas. Sempre sob o manto de leis feitas por um Parlamento cuja esmagadora maioria está afinada com os interesses econômicos do agronegócio.
Onde está a isenção? Qual a confiabilidade de pesquisas viciadas até ao pescoço por um interesse econômico colonialista? 
Ciência que prioriza a produção em detrimento da saúde e do meio ambiente. Que se vale do discurso político - e não científico – para justificar o uso de moléculas altamente perigosas, inclusive daquelas proibidas em outros países.
Sobre os transgênicos, transcrevo matéria veiculada na Rede Brasil Atual:
“De braços dados com o poder econômico, a ciência convencional virou as costas para os interesses da sociedade. Os cientistas, que deveriam colocar a serviço do bem público todo o conhecimento construído principalmente nos laboratórios de universidades mantidas com dinheiro do contribuinte, são intransigentes na defesa dos interesses das grandes corporações...
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) tem por tradição aprovar todos os pedidos que chegam ao órgão, inclusive aqueles que o próprio dono do projeto nem chega a implementar depois, porque conhecem os problemas que passaram pelo crivo dos cientistas.
No caso brasileiro, a ciência convencional tem sido pródiga em argumentos como a preocupação com a gravidade da situação, como quando os cientistas da CTNBio aprovaram um mosquito transgênico que supostamente reduziria a população do Aedes aegypti, mas que está sendo questionado até no Reino Unido. Ou quando, convictos da segurança e efetividade dessas biotecnologias pouco estudadas, ignoram pareceres contrários, relevam pesquisas incompletas, com falhas metodológicas, e dão seu aval sem sequer levantar questionamentos. As dúvidas, diga-se, são responsáveis pelo desenvolvimento da ciência. E não as certezas e convicções.
Esse perfil de cientista totalmente alinhado com interesses privados tem feito estragos também na Bolívia. Assim como no Brasil, os transgênicos são aprovados com base em pesquisas insuficientes, conforme constatou a pesquisadora Georgina Catacora. Da análise de 1.200 artigos na literatura científica, ela chegou a conclusões preocupantes.
Do total de estudos, 19% sequer se referem ao tipo de cultivo em que a tecnologia será utilizada; 21% não indicam a característica que foi modificada na planta em processo de aprovação; 31% não esclarecem em que país foram feitos os testes; e 10% não mencionam o grupo populacional que participou das pesquisas.
Esses estudos, mesmo com falhas metodológicas, concluem que os transgênicos não causam impactos.
Muitos deles não apresentam nem o método de comparação utilizado. Há uma manipulação metodológica, o que faz com que cheguem à conclusão que os transgênicos não causam problemas. Como afirmar se sequer são feitos estudos comparativos com sistemas de produção orgânica ou agroecológica?”.
Essa é a ciência que está por trás dos agrotóxicos e transgênicos. Sem confiabilidade. Fajuta.

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