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Coluna Sônia Arriens Cassel

Publicada 02/10/2017

COISAS DA VIDA

Um homem sábio fazia um passeio pela praia, ao alvorecer. Ao longe, avistou um jovem rapaz que parecia dançar ao longo das ondas. Ao se aproximar, percebeu que o jovem pegava estrelas do mar da areia e as atirava suavemente de volta à água, e então, o homem sábio lhe perguntou: - o que você está fazendo? - O sol subindo e a maré está baixando, se eu não as devolver ao mar irão morrer - Mas meu caro jovem, há quilômetros e quilômetros de praias cobertas de estrelas do mar...você não vai conseguir fazer qualquer diferença. O jovem se curvou, pegou mais uma estrela do mar e atirou-a carinhosamente de volta ao oceano, além da arrebentação das ondas, e retrucou: fiz a diferença para essa aí! Essa parábola nos revela o quanto, muitas vezes, acreditamos que não faremos diferença ao nos dispor a sermos compassivos e ajudar alguém de alguma forma...por isso talvez no acomodamos...
John Stott aponta o paradoxo da condição humana com propriedade. Segundo ele, "somos capazes de pensar, escolher, criar, amar e adorar; mas também somos capazes de odiar, cobiçar, lutar e matar. O ser humano inventou os hospitais para o cuidado dos doentes, as universidades para a aquisição de conhecimento e as igrejas para adoração a Deus. Todavia, inventou também as câmaras de tortura, os campos de concentração e os arsenais nucleares...somos ao mesmo tempo nobres e ignóbeis, racionais e irracionais, morais e imorais, criativos e destrutivos, amorosos e egoístas..."
David Platt nos lembra que alguns de nós possui mais dinheiro do que a maioria pela capacidade de trabalhar em nossa cultura. "Temos oportunidade de aprender nas escolas, de estudar em universidades e de conseguir emprego e ganhar dinheiro. Quando maximizamos nossas capacidades e aproveitamos as oportunidades, honramos a Deus e cultivamos o bem da sociedade" (2016). Entendo que ele quer nos dizer que não há desculpas, nem justificativas para cada um fazer sua parte,numa realidade que nos confronta com questões sociais graves e que podemos sim, fazer alguma coisa...ainda que individualmente.
Mas qual a medida de nossa ajuda para que ela tenha resultados construtivos? Platt responde e eu concordo com ele: "Ajudar com sabedoria, com atenção para completar o que falta a alguém responsável, em vez de subsidiar um irresponsável. A pior coisa que podemos fazer para o necessitado é negligenciá-lo. A segunda pior coisa é subsidiá-lo, ajudá-lo a sobreviver um dia ignorando o que fazer para ajudá-lo a sobreviver a vida toda...uma ajuda desse tipo requer atenção pessoal, prestação de contas consistente e compromisso de longo prazo". Para Platt essa ajuda vai muito além de apenas dar donativos...é preciso compartilhar a vida.
Quem de nós está disposto a fazer o bem, sair  da zona de conforto e se comprometer de fato? Creio que a pergunta pertinente é: "Qual o propósito da minha vida nesse mundo"? "Como posso fazer a diferença"?

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