AO VIVO


Coluna Nilton Kasctin dos Santos

Publicada 02/10/2017

Injustiçado

Justino entra decidido na sala do dono da empresa e dispara:
- Com todo o respeito, estou sendo injustiçado, pois faz três anos que trabalho aqui e ganho o mesmo salário. E não tenho cargo de chefia. Meu colega Paulo entrou há quatro meses, já ganha o dobro e é chefe de setor.
O patrão olha para o homem e responde:
- Está bem, vamos conversar. Mas antes quero que você me faça um favor. Preciso comprar abacaxis para uma festa de família. Vá à tenda de frutas e pergunte se tem abacaxi.
O homem sai e volta em cinco minutos, informando que tem abacaxi. O empresário pergunta qual o preço, mas o empregado não sabe informar.
Então o patrão chama Paulo, para quem faz o mesmo pedido.
Em oito minutos Paulo está de volta, informando que de fato tem abacaxi. Quando o empresário quer saber o preço da fruta, Paulo vai logo explicando:
- Três reais o quilo, e quatro a unidade, com direito de escolher as frutas. A tenda possui 150 quilos de abacaxis fresquinhos vindos de Terra de Areia. Tem ainda abacaxi importado da Argentina a cinco reais a unidade e quatro reais o quilo. Já reservei 50 quilos para o senhor, a confirmar pelo telefone desse cartão que trouxe para lhe entregar. Também dei uma olhada nas laranjas, que podem ser uma ótima opção para servir com abacaxi. São de excelente qualidade e custam dois reais o quilo. Ah, é possível pagar com cartão de crédito.
Depois de ouvir tudo isso, o empresário volta-se para Justino e pergunta:
- Qual foi mesmo o motivo que te trouxe à minha sala?
- Está tudo bem, não era nada -, limita-se a dizer o pobre Justino, já se retirando.
Antes de exigirmos “justiça”, antes de brigarmos pelos “nossos direitos”, precisamos analisar bem se estamos empreendendo esforço e produzindo a ponto de merecer a recompensa a que pensamos ter direito.
Justino era incompetente (ou talvez preguiçoso), por isso não merecia aumento de salário, muito menos cargo de chefia. Na verdade ele próprio era quem estava sendo injusto para com o patrão, pois não contribuía para fazer a diferença, não era criativo, não produzia satisfatoriamente.
Existe, sim, injustiça por parte de certos patrões em relação a empregados produtivos explorados. Também existe empregado invejoso, que não aceita o fato de o patrão ser dono da empresa, ter carro, morar em casa boa, e ele, empregado, andar de ônibus e pagar aluguel. Vive apresentando atestado para não trabalhar, não vê a hora do fim do expediente, e fala mal do patrão. Acha injusta a sua diferença para com o patrão.
No caso de Justino, a inveja era de seu colega que ganhava mais e já era chefe. Em razão de sua eficiência, e não pela suposta injustiça do patrão.
Quando era estudante, fui aconselhado por um ilustre professor:
- Nilton, se você quiser ser promotor, deseje isso, não tenha inveja e nunca fale mal dos promotores. Antes admire-os, defenda-os e tente se aproximar deles, tente estagiar com um promotor mesmo sem remuneração, demonstre humildade e profunda vontade de aprender. E estude muito, que um dia você chega lá.
Segui à risca esse conselho, que hoje repasso aos estudantes.
É bom desejarmos a situação confortável de outra pessoa, mas sem invejá-la. E é nítida a diferença de comportamento entre o invejoso e aquele que apenas deseja uma situação melhor. Quem deseja, faz de tudo para um dia ser como a pessoa que admira; quem tem inveja, limita-se a falar mal e busca sempre demonstrar que é vítima de alguma injustiça.

Edição Impressa


Ver Todas as Edições
Trabalhe no Grupo JM Espaço do Leitor - Assine - Anuncie -
Albino Brendler, 122, Centro, Ijuí-RS
(55) 3331-0300
[email protected] Desenvolvido por