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Coluna Argemiro Luís Brum

Publicada 08/09/2017

SAINDO DA RECESSÃO

O resultado de 0,2% do PIB no segundo trimestre de 2017 indica, tecnicamente, que o Brasil finalmente saiu da recessão econômica que durava mais de dois anos. Dois trimestres com PIB positivo, após um longo período negativo, indicam esta trajetória. Dito isso, ainda é cedo para afirmarmos que a economia nacional está em recuperação. Até o momento, iniciamos um lento caminhar de retomada, porém, ainda pleno de incertezas.

Primeiro, porque o PIB do segundo trimestre foi bem menor do que o 1% registrado no trimestre anterior. Segundo, porque no acumulado de 12 meses o PIB continua negativo de 1,4%. Terceiro, porque, em comparação com os primeiros seis meses de 2016, a variação do crescimento de nossa economia, no primeiro semestre de 2017, foi nula. Quarto, se no primeiro trimestre o que puxou a economia foi a agropecuária, com um resultado pontual em função dos números da safra de verão, que não se repete no restante do ano, no segundo trimestre a economia foi puxada pelo consumo das famílias e pelo comércio. Visto isoladamente, uma excelente notícia após nove trimestres consecutivos de queda em tal consumo.

Todavia, se a inflação reduzida ajuda a explicar o comportamento, o motivo principal esteve em outra questão pontual: os recursos oriundos dos saques do FGTS, os quais não se repetem nos próximos trimestres. Portanto, é cedo para se afirmar que as famílias brasileiras ultrapassaram o marasmo provocado pelo alto endividamento e forte inadimplência. Quinto ponto, e corroborando o ponto anterior, no conjunto do primeiro semestre de 2017 o consumo das famílias ainda está negativo em 0,6%.

Sexto, e mais importante ponto, o nível de investimentos na economia continuou se contraindo, registrando -6,5% neste segundo trimestre do ano. Ou seja, é a 13ª contração consecutiva, o que significa mais de três anos seguidos de resultados negativos nos investimentos. Sétimo, o resultado dos investimentos mostra que a atual saída da recessão ainda é incipiente, pois os motivos estruturais para que a economia inicie um processo de decolagem consistente não estão reunidos.

Enfim, as taxas de investimento e de poupança nacionais (elementos fundamentais para sustentar o crescimento da economia), em relação ao PIB, registradas neste segundo trimestre de 2017, confirmam amplamente que ainda há um longo caminho a ser percorrido para que consolidemos uma recuperação. No caso dos investimentos, a taxa ficou em 15,5%, abaixo do registrado no mesmo período de 2016, que foi de 16,7%. No caso da poupança, a mesma ficou em 15,8%, contra 15,6% no segundo trimestre do ano passado. Ora, tecnicamente, para o Brasil alavancar um crescimento sustentável tais taxas deveriam se situar ao redor de 25% do PIB. A distância dá a dimensão do desafio que ainda temos pela frente, embora o pior parece ter ficado para trás. 

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