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Coluna Sônia Arriens Cassel

Publicada 01/09/2017

COISAS DA VIDA

A palavra julgamento significa o ato de emitir um juízo, formular uma opinião, uma avaliação, um parecer ou ainda uma apreciação, seja favorável ou não. Quando julgamos a respeito de algo ou alguém que se quer conhecemos, ou formulamos opiniões sem conhecimento de causa, corremos o risco de agir levianamente, e, com isso, prejudicar gratuitamente e injustamente os outros. Infelizmente algumas pessoas transformaram esse tipo de ação num hábito e saem por aí ferindo, sem a mínima noção do quanto estão sendo nocivas com tal comportamento.

Por que julgamos tanto? Acredito que quando percebemos as diferenças nos outros e não conseguimos tolerar estas, a tendência é julgar precipitadamente. Mas cuidado ao fazer isso pois "aqueles que julgam os outros de uma forma rígida tendem a ter pouco senso de humor, a ser menos atenciosos e simpáticos com os outros, a ser mais sensíveis às críticas, a fazer um grande estardalhaço sobre coisas pequenas (...) tendem a ser mais ansiosos, menos confiantes e menos capazes de lidar com o estresse..."( A Mente é Maravilhosa ) Pessoas que agem de forma maligna, mesquinha, revelando sua pobreza de espírito.

Mônica Pessanha defende que precisamos reconhecer com humildade que não sabemos tudo a respeito da vida e que a empatia pode ser a chave para nos libertar dos julgamentos exagerados. Empatia é a capacidade de nos colocar no lugar do outro, já que nossa tendência é ver a vida e as escolhas alheias sob nosso ponto de vista, nossa história e escolhas pessoais.

Pessanha dá uma dica preciosa antes de "abrirmos nossa boca" e sair por aí julgando de forma inadequada:"Adicionalmente podemos buscar conviver com maior proximidade da situação, procurar informações de fontes diferentes e confiáveis e, acima de tudo, ter vontade de descobrir novos pontos de vistas e formas de ver a vida..." Renata Finholdt completa que precisamos desenvolver nossa natureza compassiva, nos afastando de qualquer tendência ao julgamento, trabalhando assim para o bem de todos.

Para a educadora e mediadora de conflitos Suely Buriasco, "a energia que gastamos a apontar um erro alheio, seria mais bem utilizada se a direcionássemos para observar e corrigir as nossas próprias falhas".
Mateus com sabedoria nos adverte: "Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho do teu irmão" ( 7.3). Mas se todos esses argumentos ainda não foram suficientes para convencer você, deixo a maravilhosa palavra de Clarice Lispector sobre o tema abordado: "Antes de julgares a minha vida ou meu caráter, calça os meus sapatos e percorre o caminho que eu percorri, vive as minhas tristezas, as minhas dúvidas, as minhas alegrias. Percorre os anos que eu percorri, tropeça onde eu tropecei e levanta-te assim como eu fiz. Cada um tem a sua própria história. E, então, só aí poderás julgar-me".

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