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Coluna Argemiro Luís Brum

Publicada 18/06/2020

OS NECESSÁRIOS INVESTIMENTOS EXTERNOS

A paralisação da economia, acelerada pela Covid-19, nos remete à possibilidade de terminarmos 2020 com uma das menores taxas inflacionárias da história. Paradoxalmente, o governo central não tem motivos para comemorar. Isso porque haverá menos recursos disponíveis. A lei do Teto do Gasto Público define que o crescimento das despesas federais, para o ano seguinte, será limitado à inflação em 12 meses, acumulada até junho do ano anterior. Inicialmente, esperava-se uma inflação ao redor de 3,2% até junho/20, fato que permitiria aumentar os gastos públicos em R$ 47 bilhões em 2021. Agora, a estimativa de inflação é de 1,9%. Assim, as despesas públicas poderão crescer apenas R$ 28 bilhões sobre o total deste ano. Como o dinheiro público já estava escasso antes da pandemia, agora a situação se complica ainda mais. Ora, após as despesas obrigatórias, o mínimo necessário para manter a enorme máquina pública federal, e realizar algum investimento, seria R$ 89,9 bilhões. Mas o volume projetado fica, agora, em R$ 70,9 bilhões (cf. IFI). E isso se não surgirem despesas extras! Como não temos poupança suficiente para os investimentos, mais do que nunca o Brasil precisará do capital estrangeiro. Todavia, com exceção deste último mês de maio, desde julho do ano passado saiu mais dinheiro externo do que entrou no país. Nosso fluxo cambial, entre agosto/19 e abril/20, ficou negativo em US$ 55,3 bilhões, sendo que em 12 meses o mesmo ultrapassou a menos US$ 60 bilhões. Daí resultou o enorme tombo da B3 (ex-Bovespa) e a desvalorização do Real em torno de 40% em menos de cinco meses. Para segurar o câmbio o governo comprometeu 16,1% de nossas reservas cambiais, as quais chegaram, ao final de maio, em US$ 299,3 bilhões, contra US$ 356,9 bilhões no encerramento de 2019. É sabido que os recursos externos não saíram apenas devido à pandemia, mas especialmente devido a péssima condução da política interna em Brasília. Ajudaria substancialmente, portanto, se o governo central, a começar pelo Presidente da República, melhorasse sua postura e gestão em relação ao mundo e ao próprio país.     

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