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Coluna Argemiro Luís Brum

Publicada 04/06/2020

INFELIZMENTE PIOROU O CENÁRIO FUTURO

O PIB oficial de -1,5% no primeiro trimestre deste ano confirma a volta da recessão no país, acompanhada de depressão econômica no primeiro semestre de 2020. E o número veio pior do que se esperava considerando que o Covid-19 atingiu a economia apenas na última quinzena do trimestre. Isso significa que nosso PIB, após a péssima performance dos últimos anos, continuou ruim no início de 2020, independente da pandemia. Mas o pior ainda está por vir! Em nossa economia repetindo o -1,5% nos próximos três trimestres do ano, fecharemos o mesmo com -6%, ou seja, dentro do que o mercado, neste momento, está esperando. Todavia, a projeção de PIB para o segundo trimestre (abril-junho) é de -10%. Com isso, mesmo se o PIB venha positivo para o segundo semestre, esta melhoria terá que ser substancial para evitar o choque, algo difícil de projetar diante do efeito “iô-iô” que o enfrentamento do Covid-19 está provocando no país. Junta-se a ele uma desastrada condução política no Planalto. No primeiro caso, os temores iniciais se confirmam: flexibilizar muito rapidamente, de qualquer forma, sem controle adequado e sem auxílio da população, que pouco “se ajuda”, está nos levando a novos fechamentos econômicos e ao retrocesso, repetindo outros países. No segundo caso, a pandemia cristalizou que a condução política do país está à deriva, colocando em xeque o funcionamento dos poucos setores públicos ainda sérios, dentre eles o econômico. Diante disso, a economia tem poucas condições de se recuperar no restante deste ano. Assim, -7% para o PIB de 2020 já passa a ser “a menos pessimista das projeções.” Ciente disso, o capital externo continua saindo, e já aventa um calote da dívida brasileira, pois teme que a equipe econômica não consiga voltar a uma política de austeridade para com o gasto público. Não é por nada que o Real foi a moeda que mais se desvalorizou em relação ao dólar nestes primeiros meses do ano. Hoje o mercado internacional a considera uma moeda “tóxica”, a evitar. E os motivos não estão apenas relacionados à pandemia, nada indicando que o quadro interno irá se modificar tão cedo.     

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