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Coluna Argemiro Luís Brum

Publicada 21/05/2020

A SELIC, OS BANCOS E A PANDEMIA (I)

O Copom voltou a reduzir a taxa Selic, trazendo a mesma para 3% ao ano em sua última reunião. O objetivo aparente é reanimar a economia nacional nocauteada pela recessão de 2015/2016 e posta à lona pela pandemia da Covid-19 neste início de 2020. Entretanto, este objetivo não será atingido. O melhor que a redução da Selic fará é a redução dos juros da dívida pública. No restante, a mesma não chega na ponta empresarial e consumidora em geral, e eleva a fuga de dólares do país, ajudando a provocar esta brutal desvalorização do Real (em quatro meses o dólar se valorizou ao redor de 45% em relação a nossa moeda). Ora, se no curto prazo o Real fraco ajuda o setor exportador, acaba, sob olhar do conjunto da balança comercial, surtindo pouco efeito neste momento porque o mundo também está parado devido a pandemia e, portanto, comprando bem menos (algumas commodities, como a soja, têm sido exceção). Por outro lado, as importações se tornam muito mais caras, penalizando o setor produtivo nacional, pois aumenta custos. Por enquanto, como vivemos um período de inflação baixa, pois a economia está freada, este efeito geral ainda pouco se observa. Mas há um potencial inflacionário gestado aí caso nossa economia consiga se normalizar, em especial a partir de 2021. Por outro lado, na ponta final (empresários e consumidores) o juro real subiu, contrariando a lógica da Selic. E isso tem sido recorrente em nosso país. O risco de inadimplência aumentando, no seio da crise, permite aos bancos usarem este elemento como justificativa para manterem seus lucros em níveis elevados, não colaborando com as necessidades nacionais diante da crise excepcional em que vivemos. Afora isso, os bancos estão dificultando sobremaneira, através de exigências e burocracia, a chegada do dinheiro aos que mais precisam, particularmente as micro e pequenas empresas. Assim, se o isolamento social prejudica à economia, é a desestruturação de seu funcionamento, sem que o Estado consiga evitá-la, pois igualmente mal organizado, que aumenta o problema. (segue) 

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