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Coluna Sônia Arriens Cassel

Publicada 27/03/2018

COISAS DA VIDA

Há um número expressivo de pessoas que insistem em se comportar como se o mundo girasse em torno do seu umbigo. Incluo nessa estatística crianças, adolescentes, adultos e idosos. São os chamados popularmente de “egos inflamados”. Isso tudo começou lá no início das suas vidas, quando seus primeiros cuidadores trataram essas criaturas como “sua majestade o bebê”... e deu no que deu...
Timothy Keller em seu belo livro “Ego Transformado”, vai fundo no tema e faz considerações muito instigantes. Ele se inspira na primeira carta do apóstolo Paulo aos Coríntios e segundo o autor, Paulo apresenta a maneira como nos autovalorizamos, enxergamos o eu e a nós mesmos, revelando três pontos na carta: A condição natural do ego humano; a visão transformada do Eu e como alcançar uma visão transformada. Keller enfatiza que a abordagem do apóstolo é completamente diferente da abordagem das culturas tradicionais, modernas e pós-modernas.
Para o escritor, Paulo pretendia ensinar que há quatro verdades sobre a condição natural do ego humano: Ele é vazio, dolorido, atarefado e frágil. Ele aponta a existência de um vazio no centro do ego humano. “O ego enfatuado e superinflado não tem nada no centro. É oco (...) O ego busca algo que lhe dê senso de valor, de singularidade e de propósito e nisso ele se apoia”... e devido ao vazio, tudo que colocarmos “ficará chacoalhando lá dentro”. Segundo, o ego humano é dolorido. E sendo distendido e superinflado, ele dói. “O ego vive chamando a atenção para si mesmo...O tempo inteiro, o ego exige que avaliemos nossa aparência e a maneira em que somos tratados”. Isso está ligado com nossa identidade e a percepção que tenho do meu eu...e se for negativa, certamente vai doer. Terceiro lugar, o ego é atarefado, ou seja, vive ocupado tentando preencher o vazio. “Na tentativa de preencher o vazio e lidar com o seu desconforto, o ego vive se comparando com outras pessoas. E faz isso o tempo todo”. Concordo com Timothy ao defender que nos orgulhamos somente se somos mais bem-sucedidos, mais inteligentes ou mais bonitos do que os outros. E, finalmente, o ego é frágil. “A pessoa com complexo de superioridade está superinflada e corre risco de ser desinflada; a pessoa com complexo de inferioridade já está desinflada”.
Resumo da Opera: Paulo escancara quem somos realmente...Ricardo Gondim traduz com propriedade : ”Somos vestígios no vento que o tempo soprará, migalhas de uma memória que a mente não armazena...fagulhas de um fogo que nenhuma angústia apazigua. Somos poeira sobre a página que o futuro apagará”.

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