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Coluna Nilton Kasctin dos Santos

Publicada 27/11/2017

PARLAMENTARES BRASILEIROS NA SUIÇA

Corre na internet que deputados e senadores brasileiros da tal bancada ruralista foram à Suiça na semana passada pagos pela Syngenta (empresa multinacional que fabrica o perigosíssimo agrotóxico Paraquat). Há informação de que viajaram para lá Ana Amélia Lemos (PP-RS), Antonio Goulart (PSD-SP), Covatti Filho (PP-RS), Julio Delgado (PSB-MG), Sergio Souza (PMDB-PR) e Valdir Colatto (PMDB-SC). Acompanhados por três executivos da Syngenta do Brasil.
O problema é que, segundo o site Brasil de Fato, “a visita à Suiça ocorreu após a Agência Nacional da Vigilância Sanitária (ANVISA) proibir o uso e comercialização do paraquat no Brasil”.Em um dos momentos na Suíça, em 17 de novembro, em visita ao Secretário de Estado para Formação, Pesquisa e Inovação, os brasileiros foram alvo de um protesto organizado por cidadãos suíços que não querem ver seu País envolvido com manobras políticas para liberação de veneno proibido na Suiça.
O objetivo da viagem parece claro: achar uma maneira de o Brasil continuar usando esse herbicida extremamente tóxico, proibido em quase todo o mundo, inclusive nos países em que é fabricado (China e Reino Unido).
Isso é grave. A sociedade precisa tomar conhecimento.
Paraquat é um princípio ativo para fabricação de Gramoxone, Helmoxone, Paradox, Gramocil e outros agrotóxicos extremamente perigosos.
Uma quantidade mínima desse veneno pode matar uma pessoa dentro de poucas horas. Não há escape. No mundo inteiro não há qualquer tipo de remédio que possa melhorar a saúde de uma pessoa intoxicada com Paraquat. É exatamente isso que quer dizer a expressão “NÃO EXISTE ANTÍDOTO”, escrita em letras garrafais na bula e no rótulo desse agrotóxico.
No organismo humano, o Paraquat é absorvido pela pele e pelas mucosas respiratória, ocular e digestiva. Depois de absorvido, ele se espalha rapidamente, pela corrente sanguínea, para todos os órgãos e tecidos do corpo, concentrando-se nos rins, fígado, cérebro e, em particular, nos pulmões.
Nos rins, causa necrose tubular. Nos pulmões, que constituem o órgão-alvo do Paraquat, a ação de superóxidos resulta em modificações da permeabilidade da membrana celular e morte das células parenquimatosas e endoteliais. E o que é pior: causa fibrose pulmonar irreversível. Irreversível significa exatamente isto: o intoxicado por Paraquat não sara mais.
Mas o pior mesmo é que essa fibrose pulmonar progride automaticamente, sem parar, causando asfixia progressiva do intoxicado. E quando a pessoa já está na ânsia da morte em razão dessa falta de ar progressiva, normalmente só tem uma saída: ministrar oxigênio ao paciente. Só que no caso de intoxicação por Paraquat isso não é possível, porque o oxigênio irá terminar de matar, literalmente. Então, a providência que seria o último recurso médico para salvar a vida do paciente, funciona como golpe de misericórdia quando se trata de intoxicação por Paraquat.
Tudo isso que disse não corresponde a dez por cento das gravíssimas consequências que o Paraquat causa para a saúde e o meio ambiente. E nada do que escrevi é invenção de um palpiteiro de plantão, de ambientalista de esquerda ou de algum cientista maluco que nunca tomou sol. Também não é invenção de algum inimigo do agronegócio.
Sabe quem diz tudo isso sobre o Paraquat? O próprio fabricante. Está na bula, no rótulo e na ficha de informação do Gramoxone, Helmoxone e outros venenos à base de Paraquat, usados em larga escala em toda a região da soja.

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